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sábado, 10 de dezembro de 2011

A FILOSOFIA QUE NÃO INVENTA MODA

A Associação Cultural Nova Acrópole é uma organização internacional de caráter filosófico, cultural e social que foi fundada na Argentina em 1957, pelo historiador e arquiteto Jorge Angel Livraga Rizzi, com o intuito de compartilhar o seu conhecimento.
Sua primeira iniciativa foi a criação da revista Nova Acrópole. Em seguida, abriu uma escola de filosofia que se baseava em Ética, Moral, Sociopolítica e Filosofia da História.
Com o sucesso da escola de filosofia, por meio da divulgação dos próprios alunos, a escola foi ganhando espaço em todo o mundo; atualmente presente em mais de 50 países e reunindo mais de 10.000 membros ativos.
(Os pontos em destaque no mapa correspondem a cada sede da Nova Acrópole espalhada pelo mundo).

A escolha do nome “Nova Acrópole”:
“Na Grécia Antiga, Acrópole significava a parte mais elevada da cidade, onde se estabelecia o contato entre o visível e o invisível. Trata-se de um lugar simbólico para nossa imaginação, que sugere ascender para o mais elevado de nós mesmos. Consideramos que o mundo atual necessita de novas acrópoles, feitas não de pedras, mas de seres humanos, erguidas no coração de nossas cidades, para crescer interiormente e recuperar os laços profundos que nos unem com os demais e com a Natureza.”
(Fonte: http://nova-acropole.org.br/institucional)

A Nova Acrópole tem a proposta de trazer a filosofia para o contexto social atual e busca comparar todas as religiões e filosofias. Na semana na qual fui visitar a Associação, estava acontecendo a 6° Semana da Filosofia, na qual está inserida a comemoração do Dia Mundial da Filosofia em parceria com a UNESCO que ocorre a cada terceira quinta-feira do mês de novembro desde o ano de 2002. Segundo o site da própria UNESCO o objetivo dessa celebração é promover a reflexão filosófica e dar visibilidade à filosofia em todas as regiões do mundo, especialmente nos países onde a filosofia não é formalmente ensinada como parte do currículo escolar.
A 6° Semana da Filosofia da Nova Acrópole homenageou o Filósofo, astrônomo e matemático Giordano Bruno conhecido pelas suas teorias sobre o universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais, no que rejeitou a teoria geocêntrica tradicional e ultrapassou a teoria heliocêntrica de Copérnico que ainda mantinha o universo finito com uma esfera de estrelas fixas.
Ao final do século XIX intelectuais italianos redescobriram o renascentista Bruno, tomando-o como símbolo do tipo de filósofo de vanguarda ousado e livre, e mártir da ciência e da filosofia. Ele cunhou a frase "Libertas philosophica", o direito de pensar, sonhar e filosofar.

Apresentação da Associação Cultural Nova Acrópole (By Nova Acrópole)
“O que é Nova Acrópole?
Nova Acrópole é uma Escola de Filosofia à maneira Clássica, constituindo-se na atualidade como um módulo de sobrevivência dos valores da cultura e do humanismo. O ideal de Nova Acrópole é dar à sociedade uma perspectiva diferente de vida, baseando-se em três princípios:

1°) Formar um núcleo de fraternidade universal sem distinção de raça, cor, credo, condição social, sexo, etc.
Porque ser filósofo não significa saber as mil definições do SER feitas por todos os profissionais da Filosofia; ser Filósofo, como a própria palavra diz, consiste em amar a SABEDORIA. O homem adquire conhecimentos médicos ou sociológicos, mas todos somos filósofos por natureza, de tal que pouco importa a raça, o credo ou qualquer outra denominação externa. As aparências desaparecem com a elevação dos valores interiores que estão além de toda fronteira, sectarismo, ou qualquer tipo de preconceito.

2°) Fomentar o estudo comparativo das ciências, artes, filosofias e religiões.
Pois necessitamos inter-relacionar todos os conhecimentos humanos e compará-los racionalmente. A especialização cria melhores máquinas em nosso tempo, porém, corta a liberdade natural do homem e frustra as suas iniciativas em troca de comodidades e desejos ilusórios. A cultura extremamente especializada tem separado os homens em tribos, dividindo-os pela sua profissão ou posição que ocupam na sociedade, estabelecendo uma tola guerra pela sobrevivência.

3°) Investigar as leis inexploradas da natureza e os poderes latentes dos homens.
Buscando nos harmonizar com a natureza, da qual somos parte, conhecendo assim aquilo que nos une, nos desperta, nos religa às potencialidades que existem em todo o ser humano, resgatando: a justiça, a beleza, a vontade criadora e todas as virtudes que pertencem ao homem.

Programa de Estudos
A Nova Acrópole vem desenvolvendo um programa de estudos à partir de uma visão eclética e global do Homem e das suas formas de conhecimento, e convida você a participar dessa nova proposta...

O Homem Global
Um curso onde, possibilitando um contato mais profundo com a nossa História, Tradições e Universo, possamos adquirir uma visão esclarecida e prática para vivermos o dia-a-dia projetarmo-nos para um Futuro, de um Homem Novo e Melhor.
Baseando-se na Filosofia da História, Ética e em Sociopolítica, o Curso “o Homem Global” dá início ao Programa de estudos que prossegue abordando os seguintes temas:
Nível II
Psicologia, Teoria e Prática
Introdução à Sabedoria Antiga (I)
Filosofia Moral
Simbologia Teológica
História da Filosofia Antiga e Medieval
Oratória (I)
Sociopolítica

Nível III
Religiões Comparadas
História da Filosofia Moderna
Introdução à Sabedoria Antiga (II)
Oratória (II)
Filosofia da Ciência

Nível IV
Estética Metafísica
História da Filosofia Contemporânea História da Filosofia Oriental
Religiões Comparadas (II)
Dialética

Nível V
Religiões Comparadas (III)
Antropogênese

Nível VI
Cosmogênese
Línguas Antigas


Nível VII
Astrologia
Alquimia
Maiêutica

O Nível I, não detalhado no documento, é composto pelos seguintes temas:
Ética - Conhecer a si próprio: O Homem e o Cosmos, a Índia Milenar, a Tradição do Tibet, a Filosofia Budista e a prática das virtudes por Aristóteles.
Sociopolítica – A arte de conviver: A Tradição na Grécia (Indivíduo, Sociedade e Estado), a República de Platão, a Sabedoria em Roma, Egito e China.
Filosofia da História – De onde viemos: A História na formação do Eu Consciência através do Eu Lembrança, os Ciclos Históricos e o Sentido da Mitologia.

Inscrições
O curso é ministrado por instrutores voluntários formados pela própria associação.
Quem tiver interesse em participar dos cursos oferecidos pela Nova Acrópole, basta se inscrever, visto que não há pré requisitos para iniciar os cursos.

Espaço Associação Cultural Nova Acrópole em Uberlândia
No espaço da Associação Cultural Nova Acrópole há ainda uma variedade de livros da própria editora Nova Acrópole, para quem se interessar, pode visitar o espaço em Uberlândia que fica na Rua Prata, n° 949, Bairro Ns. Aparecida CEP: 38400-622 ou entrar em contato pelo telefone 34 3083-0457.

Lembrando que todos os livros publicados abaixo correspondem às obras dos próprios fundadores, voluntários e pessoas associadas à Associação.


Para maiores informações acessem: http://nova-acropole.org.br/

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

PIPPE EM DEFESA DE NOSSOS EMPREGOS

                NEM TODOS QUEREM FILOSOFIA


(Sobre Cláudio Moura Castro e Ioschpe, sem inVeja, mas em defesa da Filosofia)
Alguns alunos encontraram uma edição da revista Veja em que saiu esfolada nossa pretensão de ensinar filosofia aos adolescentes e jovens, como matéria obrigatória, neste país que sai mal no PISA, no ENEM, no ENADE e na página policial.
Volto ao tema, pois li um artigo do mesmo intelectual, que respeito muito – já vou avisando – e também um novo artigo de um ideólogo júnior, novato na mídia, sobre o mesmo assunto, aliás... contra.
Eu não queria ser jornalista ou articulista da grande imprensa (daí o “sem inVeja”), pois estou feliz na sala de aula ou pesquisando. E, por falar nisso, eis o primeiro contato com Castro: li e reli e rabisquei o livro dele A prática da pesquisa. Até fiz uma resenha desse livro, nunca publicada e perdida nas gavetas. Foi afixada no mural da UFU por volta de 1985 e serviu de pontapé inicial para nossa bem sucedida revista Educação e Filosofia. (Geraldo Inácio, co-fundador, fez a outra resenha, sobre livro de Nelson Werneck).
E eu não fiquei esses trinta falando generalidades e abobrinhas sobre pesquisa; fiz curso de especialização em pesquisa empírica, com estatística e computers já em 1982, com equipe top do IUPERJ, encantada com o pacote SPSS da IBM. E depois fiz mestrado em Epistemologia das Ciências Humanas, para dar um pouco as credenciais de quem sabe fazer outras coisas.
Moura Castro tem idéias próprias (não é ventríloquo da revista Veja) e pode expô-las melhor em artigo mais longo. Alguém deixou em meu escaninho o capítulo 4, “Dúvidas filosóficas na educação superior”, de alguma coletânea, da qual não tenho referência.
Muito bom o texto. Concordo com quase tudo e vejo lá o livro que li 2 e ½ vezes: Zen e a arte de manutenção de motocicletas, além da defesa de algum tipo de ciclo básico na universidade. C. M. Castro, que estudou nos USA, lembra que as boas universidades lá surgiram como escolas de teologia. Ora, eu também me graduei na Católica e Goiás, de jesuítas, que tinha teologia e filosofia no básico, para todos os cursos. E a melhor instituição de ensino do Brasil na área de humanidades é a EST, com t de teologia, em São Leopoldo – nota máxima na Capes.
Castro trabalhou na Capes e em muitos outros lugares. É economista, de olho em investimentos e resultados, mas luta contra o corporativismo - vieram cobrar dele a mensalidade de seu “CREA”, mas ele não exerce; foi para a educação há muitos anos... E ficou p da vida, com razão. Confiram em http://colunas.imirante.com/platb/gastaovieira/2011/07/.
Então, até por razões pessoais, acha que uma pessoa pode estudar uma coisa e trabalhar em outra área, como pode inventar qualquer coisa sem ser especialista. De novo, a força das corporações, medievais ainda. Como se explica que os jornalistas não precisem de diploma, ao passo que os advogados com diploma não consigam trabalhar por implicância da OAB, a defensora dos fracos e oprimidos  de outros ambientes? E nós, filósofos, com ou sem diploma, temos dificuldade de vender nosso peixe e até de pescar nossas iscas.
Castro dá inúmeros exemplos, mas lembra: não há improviso – quem parece improvisar, tipo Almir Klynk no palco (mas não em alto mar), preparou-se muito bem antes.  Mas aí, nesse artigo mais longo de Castro, mais acadêmico, caberia sugerir que acrescentasse alguns filósofos a sua lista de gênios criativos fora da área, em “desvio de função”, com dizem os burocratas. Por exemplo, Descartes e Leibniz inventaram cálculos e teoremas, um outro polia lentes e dois inventaram processos engenhosos para vigiar presos ou apertar  suspeitos (ou as hipóteses). Bentham e Bacon, respectivamente. Bom lembrar que o “Chico Toucinho” teve um cargo equivalente ao de Romeu Tuma em tempos de Dops... E muitos eram polivalentes, que iam também aos laboratórios, observatórios e campos de batalha.
Mesmo no século XX das especialidades, o engenheiro Ludwig que virou filósofo Wittgenstein foi também enfermeiro e arquiteto: desenhou casa moderníssima para a irmã em Viena. E Quine alistou-se na marinha para poder viajar muito. Acabou passando pelo Brasil onde lançou livro importante.  Ou seja, desde que Tales ganhou dinheiro em Mileto com sua locadora de depósitos de azeitonas, já se vão 25 séculos de criatividade e jogo de cintura.
Mas o grande lance, nossa chance de dar um aperto diplomático no Castro da revista é mostrar que o Castro do artigo, cap. IV, fala de filosofia; faz reflexão filosófica, pois sabe que muitas vezes o cálculo e a empiria são insuficientes. Ah... Que bom! Existe esperança para nossa pequena empresa. Só nos resta ter força e senso de oportunidade para fazer nossa oferta de serviços (e de produtos), pois é disso que estivemos tratando no PIPPE: motivar os alunos, mostrar perspectivas e inventar coisas. E, claro, desfazer as falsas imagens que sempre voltam, como se o curso de filosofia fosse uma invenção recente e curiosa.
Em mensagem a um aluno nosso, Castro gentilmente respondeu que não é contra o ensino de filosofia; só não devia ser obrigatório. E até ironiza: porque não violino? Não, caro Cláudio, não vamos desafinar... Mas podia ser pior, se nos coubesse tocar aquele bumbo lá no final da ópera.

Mas deixemos o colega Castro em paz, até porque sabemos bem como é a regra da conversação: se ele é economista, tem coragem de expressar seus pontos de vista e critica nossas fantasias de filósofo, não adianta muito querermos convencê-lo de nosso valor (pois de valor escasso o economista Castro entende); melhor seria agirmos igual: criticar a economia. A partir de coisinhas leves, como: porque será que os cursos de economia são ministrados em tempo integral? Há muitos economistas progressistas e até revolucionários nos cursos de economia das federais, mas... será que o filho do operário não pode ser economista? Tem reserva de mercado para os filhos dos empresários? Assim, a gente vai treinando para ocupar horários nas grades curriculares, disputando com música, legislação de trânsito, arte culinária, yoga... Claro que temos que ter convicção da prioridade e anterioridade da filosofia! Não se pode é vacilar.
Deixemos o Castro, com respeitosas saudações universitárias, e passemos ao novo mascote ou gandula da revista Veja: Gustavo Ioschpe. Esse rapaz apareceu numa série da rede Globo sobre educação. Andou no jatinho da emissora e explicou com clareza e competência as razões do sucesso de uma escola e do fracasso de outra, mesmo quando a boa escola está no Piauí e a ruim na grande Porto Alegre. Muito preparado e imparcial o Ioschpe, mas parece que está deslumbrado com a grande revista que lhe deu espaço para artigo. Não sei se ele escreve regularmente na Veja, pois só leio ocasionalmente essa revista ilustrada em oficinas e consultórios.
Na edição de 9 de novembro de 2011, o analista Ioschpe pretendia mesmo era bater no ministro Haddad, mas sobrou algum tapa para nossa querida filosofia. É compreensível, no jogo de forças políticas – inclusive dentro do PT – que a mídia se aproveite para elogiar ou criticar um ministro que será candidato a prefeito de São Paulo, onde a Veja deve ter a maior parte dos assinantes e anunciantes. Daí que o artigo siga o cardápio: falar contra o Enem, a expansão da rede pública, o Enade, a merenda, a qualidade, etc.  A idéia geral é que “não adianta aumentar gastos”, pois os alunos vão sair tão analfabetos quanto antes. Ih! Ofendeu...
Aqui não é lugar para comentar o que os últimos três presidentes têm feito pela educação (ou contra). Então, vamos ao tema filosofia. E aí vemos que o rapaz vestiu a camisa da firma! Cito de memória e, se parecer confuso, é porque há um texto cifrado ali, mais ou menos assim: A implantação do ensino de filosofia e sociologia ( “leia-se pregação esquerdizante” ) no ensino médio foi o maior êxito do ministro Haddad, para depois deixar seus heróis de vinte anos atrás orgulhosos ao reclamar do inchaço do currículo naquele nível.
Imaginei que os supostos heróis de Haddad fossem comunistas e libertários, mas temos que deixar essas confabulações maldosas para depois. Vamos rebater aqui apenas essa neura da alegada “pregação esquerdizante”, pois é assim que a filosofia é erroneamente encarada, por desconhecimento e por estratégia – para queimar nosso filme e nos alinhar automaticamente com movimentos sociais e sindicais que a revista declaradamente odeia e demoniza.
Ora, de onde tiram isso? Existe pregação esquerdizante nos programas, nos textos? Será que algum curso de mestrado ou doutorado ainda ensina Marx, por exemplo? Confiram as teses e dissertações atuais. Acontece em outras áreas o mesmo que nos cursos de pedagogia: enfraqueceu-se depois dos anos 90 a tendência de crítica à escola capitalista e reprodutivista, dando espaço para outras abordagens e teóricos, inclusive a pedagogia empresarial.
Ou será que o problema é o pensamento em geral? Será que pensar, no sentido filosófico, sempre leva à crítica do estabelecido, ao passo que o cálculo e a operacionalização favorece a valorização do capital, sem interferir no status quo? Bom lembrar que o pragmatismo também é uma filosofia. E que hoje o racionalismo crítico está mais perto da recente teoria crítica, na defesa do diálogo e do debate. Dúvidas abertas.