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domingo, 3 de junho de 2012

EDUCAÇÃO NÃO É PRA FAZER CABEÇA


O grupo da controvérsia em pose de MBA


O curso de Pedagogia da UFU tem uma disciplina muito... digamos assim, sei lá. Entende? A verdade é que o professor anda meio distraído, desligado... Tipo assim, ele estava achando que o curso era semestral e já tinha distribuído 60 pontos. Estava pronto pra fechar o diário. Que nada! Essa rara turma tem matérias anuais... Ah! é? Que bom...

Podem estar certas, caras alunas: já vimos filósofos mais distraídos que esse aqui digitando de madrugada. Exemplos: Valério Rohden derrubava gravadores  e águas em sua mesa de conferências. Belucci foi parar em Itumbiara, quando era aguardado em Tuitaba... Tem base? E o Tales, então? Tão distraído era o milésio que caiu em um buraco, quando olhava para as estrelas. Ah! deve ser isso...

Mas podem apostar que ele não vai repetir as piadas e nem enrolar. Mas pode ser legal exibir uns filmes e inventar algo relevante, tal útil e atual quanto a... controvertibilidade assumida.

Duvidar já é um bom começo, rumo a controvérsia.

O Professor está caduco? Há controvérsias...

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Além do dossiê sobre o ensino de filosofia, trouxemos mais dois ou três textos, pois temos mais grupos que artigos nesse excelente dossiê, no nº 44 da revista Educação e Filosofia.

Eis aqui uma canja do texto aparentemente difícil do W. Sander. O título é longo e pode assustar, mas logo entendemos e vemos que o assunto é muito relevante.

O professor deve mostrar os diversos lados de um problema? As diversas opiniões? E o professor deve - ou pode - vender seu peixe, fazer a cabeça, doutrinar a massa, impor sua opinião? Fez diferença na história da educação estarmos em uma escola pública ou privada?



FORMAÇÃO E PERSPECTIVIDADE

CONTROVERTIBILIDADE E PROIBIÇÃO DE DOUTRINAÇÃO
COMO COMPONENTES BáSICOS DA FORMAÇÃO E DA CIÊNCIA


autor: Wolfgang Sander

Tradução de Bento Itamar Borges
(traduzido por encomenda da revista, de boa e de graça) 



RESUMO

Na discussão acadêmica alemã sobre a formação política, os princípios da controvertibilidade e da proibição da doutrinação valem, desde o Consenso de Beutelsbach, no final da década de 1970, como critérios de qualidade fundamentais e consensuais para a práxis pedagógica. Esta contribuição investiga se e em que sentido esses princípios poderiam, indo além da formação política, reivindicar validade para todo o âmbito da educação, e, de modo especial, para as escolas. Isso será feito em três passos: primeiramente, a partir do Consenso de Beutelsbach, a multiperspectividade3 será fundamentada como princípio para todas as áreas; em seguida, ela será exposta a partir de uma visão construtivista do contexto formado por saber e perspectividade; por fim, será feita a defesa de
uma renaissance do conceito de formação enquanto minuta de referência para a escola com base nessa compreensão construtivista do saber.

ENSINE A CONTROVÉRSIA
É legal ver na net que essa é uma luta em defesa da liberdade
de ensinar outras cosmovisões, como a da Terra chata...




ENSINE A CONTROVÉRSIA

Até o pessoal que acredita no Zetê quer tirar sua casquinha...
(E viva Erich von Daniken!)

Além de traduzir, do alemão, esse texto longo, traduzi também do inglês uma réplica de Marcelo Dascal, professor brasileiro hoje em Israel. Esse texto é mais curto e tabém pode ser lido online, em:


 

O texto de Sander pode ser lido de graça na revista online, em



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gupor: Lorena, Maryelle, Érica

sexta-feira, 1 de junho de 2012

REGRAS DO MARION: CARIDADE SEM PREGUIÇA

Fala sério.Esse texto de Jean-Luc é muito dífícil. O professor admite e varou a madrugada preparando aula. Quem quiser que confira. Estamos devorando todo o dossiê sobre o ensino de filosofia, o nº 44 da revista Educação e Filosofia. Mas esse artigo é pedreira. Só conheço algo desse naipe, indigesto e sem lado de chegar: o livro de Cossutta.
O Jr. tinha esse livro e eu também o adquiri, mas...
o que fazer com essa obra hermética?
As alunas apresentaram o texto e deixaram o roteiro a seguir. Ao final, damos o site para quem quiser ler Marion na íntegra. Cheio de referências e artimanhas, mas... um exemplo de que não podemos ler com preconceito. Tipo: esse francês é pedante, está se achando, etc. Ele e os demais franceses tem razão nisso: nenhum país investiu tanto nessa tecnologia de explicar textos de filosofia. Não adianta chiar.

Jean-Luc Marion
Há fotos dele no fardão, pois tem cadeira na Academia Francesa
Não é fraco, não.


E o texto de Marion, no fim das contas e através de categorias atraentes como a "caridade" e a "preguiça", traz importantes regras, como dar atenção aos autores menores e até nanicos.
É um típico caso de "ad astra per aspera", ou seja, tem que ralar para chegar a brilhar.
Mas, vamos combinar, não é? O grande trunfo dos franceses continua sendo Descartes. O que seria da filosofia francesa sem ele? Well, perguntem aos holandeses que o deixaram trabalhar em paz...

ALGUMAS REGRAS EM HISTÓRIA DA FILOSOFIA

Limites da Proposta
O autor, em sua proposta não tem a intenção de definir a metodologia, mas busca reconstituir as metodologias aplicadas. A França renovou os aspectos quantitativos e qualitativos da disciplina.
Demonstrar
A Filosofia como disciplina, busca convencer e apresentar teses estabelecidas por demonstrações. O autor  demonstra que um  historiador da filosofia deve: conhecer profundamente o autor, não tentar explicar aquilo que não se domina, ser um interprete e também filosofar.
O texto ativo
A história da filosofia deve se tornar científica.
Para se tornar ciência ela deve proceder, por acumulação de conhecimentos verificados. Durante a acumulação dos conhecimentos, não se deve fazer economia do trabalho textual. O texto ativo, é um norteador para os leitores, ele  serve para eliminar e invalidar .
Um texto não compreende apenas um conjunto de escritos, mas também a história de sua interpretação. A história e a filosofia são indissociáveis.
O contexto
O progresso em história e em filosofia não procede somente por acréscimos de dados factuais e especulativos, mas também pelo crescimento externo.
Paradigmas
Não há, pesquisa de história da filosofia sem questão filosófica. Em princípio, nenhum paradigma deve ser excluído para guiar uma investigação em história da filosofia, porque sua legitimidade se mede, com efeito, pelos seus resultados – pela amplitude da inteligibilidade produzida no campo concernido.
Conceito e erudição
 A história da filosofia concerne a filosofia, porque ela marca o grau de pertinência retroativa de uma filosofia. Ela concerne também a história, porque ela coloca em evidência nesse contexto o trabalho do espírito e do conceito no campo complexo, desordenado e sempre a retomar da via indefinidamente renovada das ideias.
grupo: Thaís Roberta, Ana P Queiroz, Priscilla Rayane, Maria Beatriz


 
Nosso departamento de imagem aguarda a foto do grupo sete.


Texto original de Marion: publicado na revista Educação e Filosofia, nº 44, que pode ser lido de graça no endereço a seguir


http://www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/1976
Jean-Luc Marion

(Tradução de Leandro de Araújo Sardeiro)

sábado, 19 de maio de 2012

ANEDOTA ALFABETIZANTE

Caras alunas da Pedagogia e caros leitores do Planeta, com W de World, in WWW!


abcdefghijklmnopqrstuvwxyz



Enquanto aguardo um resumo e umas fotos para montar uma reportagem sobre a exposição feita ontem em sala de aula, vem aí uma anedota.


E esse causo que conto foi trazido à memória deste professor por um grande cartaz que as alunas manuseavam em sala de aula. De longe, via-se que era material didático, encarte de cartilha escolar, bem colorido. Mais perto: vi as letras e sílabas do alfa-beta-kappa... Sim, era a evolução da velha cantilena dos ba-be-bi-bo-bu e dos ca-qué-qui-co-...etc.


 Senta, que lá vem história!

"Foi por volta de 1997. Fui passear na vizinha cidade de Bom Sucesso. Levei minha mãe para visitar uma prima. Dois ou três netos dela faziam algazarra: um magrinho, de óculos, com cara de nerd. O outro, da mesma idade, mas bem crescido e forte (pra não dizer "gordinho", pois vai que esse negócio de bullying já chegou lá na terrinha...). A avó quis acabar com a farra, para que as visitas pudessem prosear de boa e comer broa com café da roça. E despachou logo o maiorzinho, com aquele papo de que ele tinha que fazer as tarefas da escola, que estava atrasado e... Mas nisso, o rapazinho me saiu com esse ótimo argumento em sua defesa (o que implicava em atacar o nerd): "Mas, vó! Ele é que precisa estudar, ele é que está atrasado... " Diante da cara de desentendida da avó, ele completou: "Mas, vó! eu já estou no sapo!.. e ele agora é que chegou no macaco..."

E que tal um "S" de macaco? Olha o rabo.
Um disléxico com escrita espelhada
complica a vida de psicólogos e desenhistas...


E essa bem que podia ser uma contribuição do Rafa Medina
em tempos de escolinha das tias.
Vai ser outra história.
*********


 PARA CASA:
passem adiante esta mensagem
e ajudem a salvar o planeta





quarta-feira, 16 de maio de 2012

GRUPO 2: UMA VISÃO CLÁSSICA

A condição humana e a educação em
Hannah Arendt

(1906 - 1975)

Hannah Arendt nasceu na Alemanha e faleceu nos Estados Unidos da América.

Filósofa política alemã formada em 1928, de origem judaica, uma das mais influentes cabeças do século XX.
Trabalhou, entre outras atividades, como jornalista e professora universitária, publicou obras importantes de filosofia política, tais como:
1949: Origens do totalitarismo

1950: O que é política?

1957: A crise na educação

1958: A condição humana

1961: Entre o passado e o futuro

1971-78: A vida do espírito

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 O artigo de Odílio discute a relação entre condição humana e educação em Hannah Arendt.

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A autora é associada ao processo educativo da visão clássica da educação em contraposição à visão especializante e adestradora da modernidade. É apresentada a visão geral da condição humana em Arendt e, por último, aborda-se a natalidade que, segundo a autora em pauta, é a condição humana diretamente ligada à educação.
Para Hannah “a essência da educação é a natalidade”.
A idéia é explicitar que o tema da natalidade  é, entre as demais condições, a mais intimamente ligada à capacidade de iniciar algo novo, isto é, à ação, pois “os homens, embora devam morrer, não nasceram para morrer, mas para começar”.

A relação entre educação e condição humana, nas posições clássicas, é propícia ao florescimento humano, entendido como desenvolvimento das capacidades  poéticas, teóricas e práticas. Sem trabalho, educação,  e arte, o homem reduz-se a mero ser vivente . A condição humana funciona como uma espécie de habitat apropriado ao desabrochamento e revelação dos seres humanos

A condição humana diz respeito às formas de vida que o homem impõe a si mesmo para sobreviver. São condições que tendem a suprir a existência do homem.

 As condições variam de acordo com o lugar e o momento histórico do qual o homem é parte.

Nesse sentido todos os homens são condicionados, até mesmo aqueles que condicionam o comportamento de outros tornam-se condicionados pelo próprio movimento de condicionar.

 “O homem, para viver, precisa sempre dar conta da vida e da sua reprodução; de um mundo que o proteja das intempéries da natureza e de um espaço que possibilitasse a sua interação política e linguisticamente mediada”.


A condição humana não é o mesmo que a natureza humana:

“É altamente improvável que nós, que podemos conhecer, determinar e definir a essência natural de todas as coisas que nos rodeiam e que não somos, venhamos a ser capazes de fazer o mesmo a nosso próprio respeito. (...) Em outras palavras, se temos uma natureza ou essência, então certamente só um deus pode conhecê-la e defini-la; e a condição prévia é que ele possa falar de um ‘quem’ como se fosse um ‘que’.” ( p. 18-19

Para Arendt, o homem é um ser para o nascimento. A categoria de natalidade, em Arendt, é uma aposta esperançosa na capacidade humana de agir e de falar, de romper qualquer tentativa de opressão, manipulação e controle.
O homem não é apenas imitação e repetição, mas capacidade de, no interior da condição humana, começar algo e, dessa forma, inserir-se no mundo humano.

Yes, the human condition...

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Seminário apresentado na Graduação de Pedagogia,
disciplina Filosofia por: Ivanete A. Silva Rocha e Roseli Marques Rodrigues

(texto-base para exposição em sala de aula: publicado por Odilio Alves Aguiar,
na revista Educação e Filosofia, v. 22, n. 44, p. 23-42 – Dossiê Ensino de Filosofia)

(Orientação: Prof. Dr. Bento Itamar Borges – UFU)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Grupo 1: REPETIÇÃO CRIATIVA...



...OU CRIAÇÃO REPETITIVA?

Este blog registra cenas de nossa aula de hoje, sexta-feira de manhã. O primeiro grupo apresentou o texto de Alejandro Cerletti: Enseñanza filosófica – notas para la construción de un campo problemático.
Alejandro Cerletti

Serão nove grupos, até o final de junho. Seis deles apresentarão os textos do Dossiê sobre ensino de filosofia, publicado na revista Educação e Filosofia, v. 22, nº 44, de 2008 – capa dourada, de uma edição especial que vale ouro.
E mais três grupos, com temas pertinentes, inclusive uma tradução feita e publicada pelo professor desta disciplina e um artigo, que publicou em parceria com dois colegas. Duas contribuições recentes para a área da educação.

Cerletti tem livro também sobre o tema
Não é intenção nossa resumir o texto de Cerletti, pois gostaríamos de motivar os leitores do blog para sua leitura integral, disponível gratuitamente no endereço a seguir:
http://www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/1966/1640
As alunas Lívia Rocha e Bruna Queiroz conduziram bem a exposição, apesar das intervenções do professor... que, de vez em sempre, conversa demais e muda de assunto. Mas chegaram ao fim e ficamos todos satisfeitos, diante da platéia atenta.

Lívia - el maestro - Bruna


Um tema central no texto de Cerletti e que também ganhou destaque foi a idéia de “repetição criativa”, associada ao filósofo fancês Alain Badiou.

Alain Badiou

Vimos também, pela bibliografia, o curioso título de um livro de Jacques Rancière, sobre o “mestre ignorante”. Pode? Pode. Olha este aqui, por exemplo, que ignorava isso: que Rancière houvesse escrito um livro sobre o mâitre ignorant... Talvez fosse o chefe dos garçons de um restaurant chic...



Jacques Rancière, que escreveu
"O mestre ignorante"
 
E ficamos pensando: será que esse professor em Buenos Aires – argentino por supuesto – foi fazer seu doutorado em França? Isso é fácil resolver: enviaremos um email ao nobre vizinho.
E gostamos de ver que Cerletti cita nosso querido Paulo Freire. E um dia eu contarei aqui uma história sobre Paulo Freire e Argentina. Espero lembrar disso perto do dia dos Professores, pois dá pano pra manga.

Esperamos que as alunas tenham tomado notas também das idéias secundárias. Pois faremos uma “Memória de curso” no final de junho. Por exemplo:
a)      Esboçamos uma feliz analogia entre filosofia e fotografia (a desenvolver um dia);
b)      Criticamos os abusos praticados pela escola nas décadas de 70 e 80, em torno de uma certa “criatividade” misturada a sucata e estereótipos;
c)       Comparamos também as áreas do direito e da filosofia, quanto à tradição e às demandas atuais, em problemas como crimes praticados por robôs e novas configurações de famílias.
repetição criativa

Observação sobre as imagens da net. Se você procura “criação” no Google, as referências mais comuns são da área da propaganda: criar campanhas publicitárias. E também a auto-referência do meio, que é a mensagem: “criação de blogs e sites”.
E quando você digita “repetição”, pode cair em sites e blogs de design. Em um desses, de um estudante de design, encontramos as ilustrações “geométricas” aqui utilizadas. Citamos a fonte e agradecemos ao Tiago ( e aos fotógrafos cujos nomes nem sempre encontramos – com sempre, se alguém reclamar, fazemos uma vaquinha ou retiramos a imagem do ar...)
criação repetitiva

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E por falar em repetição, olha aí as alunas de novo!

É igual, mas é diferente: prestem atenção,
pois há mais sorrisos aqui.
Também pudera! O sucesso da disciplina, o primeiro grupo e...
hoje é sexta-feira!
etc.
etc.



sexta-feira, 27 de abril de 2012

CENTÉSIMO POST


Este blog do Pipe Show, que já transmitiu dois campeonatos da disciplina PIPPE, não está caindo pelas tabelas. Doch, doch! Estamos bem no meio de um semestre no curso de Pedagogia. E o blog é o veículo de informação, inclusive para quem perder aula. E queremos ver todas as 36 alunas chegar às quartas de final! Sem disputa de pênalties, pois há lugar para todas. Todas podem ser aprovadas, desde que... o de sempre: presença e notas. Não inovamos tanto assim. Seguidores e seguidoras, tem mail no box do pippe.



Na aula de hoje, acertamos coisas de bastidores e não vamos cansar a beleza de quem não faz a disciplina. Só algum relato, tipo la lengua española. Nossas caras alunas precisam perder o medo de ler textos em español e english. Precisam começar e pronto. E não é por causa de nosso programa, não. Vai ser importante a vida toda, inclusive para uma paseo en Buenos Aires, por supuesto. Há palavras bonitas em espanhol, como "salga" e "valga", mas não é tão fácil sacar que ali estão os verbos sair e valer, flexionados nessa forma preciosa. Mas temos que encarar, com dicionário e insistência. Espanhol é a língua mais próxima de nosso português. E lembrem-se que entender um português falando é mais difícil que ler um texto de filosofia em espanhol. Concordam? Já tivemos prezidents d Prtugall com legendas, na TV do Brasil...


Improviso. Ora, eu não iria ajuntar meus papéis e voltar pra casa, só porque o grupo não se achava em condições de apresentar o texto em espanhol. De boa. Então, começamos a apresentar o outro, também em espanhol. Em vez de ouvirmos uma exposição sobre "Sócrates, la filosofía e su enseñanza", de Walter Omar Kohan, vimos as primeiras páginas de "Enseñanza filosófica: notas para la construción de un campo problemático", de Alejandro Cerletti. Coloquei no quadro umas idéias centrais e comentamos o tema e a abordagem, saindo também do assunto, como é de nosso feitio.

E por falar em feitio, contamos uma historinha rara, sobre uma aula bem bolada. Quem leciona há 30 ou 40 anos, sabe que não é todo dia que vem uma sacada, uma encenação memorável. Eu poderia me lembrar de uma meia dúzia de aulas que receberam um apelido, tipo a "aula do pé de manga", "a aula dos besouros", etc. Teremos tempo de contar outras histórias. A de hoje é esta, com cara de sugestão aos novatos:
Era um curso de estética para alunos e alunas de artes, música, filosofia e alguns curiosos. Levei para a sala quatro ou cinco paletós ou blazers de vários tamanhos e cores e os entreguei a alguns alunos e alunas. Não disse nada. Começaram a vestir cada um, abotoar, desabotoar e trocar as peças entre si. E comentavam se a roupa estava apertada ou frouxa, se era cafona, bonita, confortável, etc. Além dessa "performance", levamos café em garrafa para a sala de aula. Depois escrevemos no quadro frases como "a estética deveria cuidar também dos ternos, como quando se prova uma roupa no alfaiate e diz que caiu bem ou não caiu" - e também: "a estética deveria tratar também do gosto do café". Só depois, bem depois que comentamos o que parecia evidente ali e experimentado, foi que contei de quem eram tais frases. Mostrei o livro e depois falei o nome completo do "Luís": Ludwig Wittgenstein. 

De novo, a conversa sobre línguas estrangeiras. Se você começa a aula pelo nome do filósofo, pode espantar a freguesia. Se você joga alguns volumes impressos em cima da mesa, desanima a galera. Então, que tal começar pelas idéias, pelos problemas? Claro que nem sempre temos como fazer isso; nem tudo permite uma dramatização. E tem hora que nem mesmo um professor de cursinho consegue rebolar diante de um teorema... Mas em muitos casos, funciona essa seqüência. E estamos falando de alunos adolescentes e jovens. Em conferência para iniciados, cairia mal qualquer coisa além de ler o paper (ops! em inglês aqui, "pêiper", texto para apresentar em evento). 


Claro que um dia, no futuro, vou contar boas histórias dessa turma da pedagogia. Podem apostar, pois é assim que funciona. Ou já posso contar agora? Creio que sim. Então, senta que lá vem história! Eis que este professor estava a criticar a democrática instituição em que trabalha há quase 33 anos. Sucede que um professor aposentado da UFU não pode mais pegar livros emprestados na biblioteca da UFU... E decerto eu estava com cara de lamento e leve revolta, tipo "isso é um ab-surdo!" Aí um aluna dá um bom conselho: "Professor, pra quê biblioteca? Você vai se aposentar e viajar, pescar..." (Ela tem certa razão, mas devo acrescentar aqui que preciso terminar ler de o Ulysses do James Joyce. Na verdade, vou ter que voltar várias à biblioteca, já que não poderei levar pra casa. Que nem um cidadão comum, irei à biblioteca pública da UFU e... vou  retomar do início, pois já me esqueci do que se passou até o meio-dia do Bloomsday, naquele romance de 765 páginas...)


E também falamos sobre perguntas inteligentes de crianças e do cuidado que devemos ter para não criar escrúpulos na criança. Exemplo: evitemos falar de "pecado", pois há outras maneiras de ensinar que é bom fazer o bem. E não funciona dizer a um menino de cinco anos que ele é machista. De repente, ele gosta da idéia e começa a ser grosseiro. A mãe poderia corrigir, de boa, seu inteligente garoto, sem inibir sua capacidade de perguntar e inventar. Exemplo: "Querido, a mamãe às vezes sonha de noite, quando dorme. Mas de dia, acordada, ela pensa. E com o seu pai é assim também: ele também pensa e sonha. Homens e mulheres pensam e sonham..." (Agora, cá prá nós: a outra conversa do menino, de apagar o sol com um enorme balde d´água, é mesmo coisa de filósofo pré-socrático... Tinha que estar no volume de Kirk e Raven!)

Tem mais coisas sobre a aula, mas o tempo passa e agora, daqui em diante, eu só estou fazendo cera, pois quero inteirar 100 fotos de caixas postais alemãs aqui, para marcar a centésima postagem.


Além do que, enviei email para a lista da turma, acertando pontuação de tarefas e o programa de exposição das próximas aulas. Vamos expor os textos do dossiê sobre ensino de filosofia, que saíram no número 44 da revista Educação e Filosofia e podem ser lidos de graça no site www.seer.ufu.br

E vejam em breve aqui: 101 posts pra você ler antes de, pois vai que...


sexta-feira, 20 de abril de 2012

COMO É QUE SE ENSINA ISSO?



Aqui estamos contando o que vai rolando na disciplina Filosofia, oferecida ao curso de Pedagogia, na UFU. Imaginamos, com algum conhecimento de causa, que as alunas terão muitas aulas e leituras de f/e, ou seja, de Filosofia da Educação. No plural, pois há inúmeras filosofias da educação (e não precisamos inventar mais). Sendo assim – e parece-nos que assim é - , vamos dedicar algum esforço e tempo na outra área de confluência: e/f, ou seja, Ensino de Filosofia.
Eis aí uma situação real em que filósofos e educadores têm que se entender: a filosofia pode ser ensinada, ao contrário da insinuação contrária do camponês da anedota. E daí cabe perguntar: como é que se ensina isso?
Ora, não é necessário que aquele que ensina filosofia precise saber “o que é filosofia”, de maneira definitiva, completa, fechada. É possível que um cara que não sabe nadar possa ensinar outro a nadar, pois ele sabe como se nada. E poderíamos trazer outros exemplos desse naipe. Por seu lado, aquele que quer (ou deve) aprender mais sobre filosofia já sabe sempre algo sobre filosofia – e não vai nunca partir do zero. E nem nadar no seco.
Meu 0,1 (um valor positivo diferente de zero, mais que nada): a pergunta muito comum entre calouros da filosofia “viemos aqui para aprender a filosofar ou para aprender filosofia?” não chega a ser uma falsa questão, improcedente; faz sentido. Todavia, a pergunta mesma não é nem filosofia, nem filosofar; é meta-filosofia. E reconhecer isso é um grande avanço.

UM ESCÂNDALO, DOMESTICADO
No primeiro dia de aula, descobrimos que as 36 alunas desta turma não conheciam a revista Educação e Filosofia. Tínhamos que resolver logo essa carência, pois esse periódico acadêmico de alto nível, produzido na UFU, é nosso orgulho, resultado de quase 30 anos de muito trabalho. E mais ainda: uma prova viva de que a colaboração entre educação e filosofia é um mais que uma questão acadêmica; é um resultado do trabalho de profissionais dessas duas áreas.
Este professor fala com satisfação dessa revista, que ajudou a criar e a manter. Foi diretor dela, revisor, tradutor, membro do conselho. Foi e ainda é lá colaborador – com vários artigos e resenhas publicados – e parecerista. Agora, resolveu parcialmente a curiosidade das alunas, ao doar a elas 18 exemplares de números diversos, que tinha repetidos em seu acervo. As que ainda não ganharam um exemplar – além das demais colegas e de toda a humanidade letrada – poderão ler a revista online e de graça.
NA ILHA – Tivemos duas aulas na Vila Digital do bloco 3Q. Aí pudemos ensinar e aprender como acessar essa revista e outras tantas. Simples e de graça. Entre no site WWW.seer.ufu.br
e procure a revista Educação  e filosofia. Escolha o último número publicado ou entre em “anteriores” e localize por ano, volume e número. Depois, escolha pelo título um artigo e clique à direita em “PDF”. Pronto. Abrir e ler.
Assim, hoje, chegamos ao volume 22, número 44, de 2008. Esse número merece a capa dourada, de fato, pois é o sonho dos editores: um número temático, um dossiê sobre o ensino de filosofia.
Já sabíamos há 30 anos que só com a pesquisa poderia manter a revista. E agora vemos que o mundo da filosofia tornou-se mais e mais organizado e produtivo, com mais verbas e oportunidades, mais cursos de pós-graduação, sobretudo nas universidades públicas. Assim, esse dossiê foi possível depois do trabalho de um GT (ou dois?) ligados a nossa ANPOF (Associação Nacional de Pós-graduaçao em Filosofia), ou seja, o número 44 registra a discussão de um grupo orgânico, que tem uma discussão amadurecida.
Nas próximas duas ou três aulas, vamos apresentar e discutir os seis artigos do dossiê, cujos autores são: Odilio Alves Aguiar, Alejandro Cerletti, Sílvio Gallo, Desidério Murcho, Gonzalo A. Palacios  e Walter O. Kohan. Em breve, falaremos dos títulos e conteúdos.
Dois dos artigos estão em español... E queremos encorajar as alunas a ler e entender essa lengua hermana. Podem apelar para tradutores automáticos e dicionários online. E não será preciso traduzir todo o texto. Basta lê-lo todo e fazer um roteiro para o dia da apresentação. E é bom que as alunas queiram planejar para que até o final do curso possam ler também em inglês. Sim, caras alunas, treinar a competência em alto estilo.

SEGUIDORAS – Aproveitamos a visita ao laboratório de informática também para incentivar mais uma vez a visita a este blog. Motivação: cada aluna que se inscrever como seguidora do blog vai ganhar 15 pontos (em 100, do semestre). Boa idéia, não? Aos poucos, vamos aumentando o número de seguidores e visitantes. E esperamos manter o blog depois do fim deste semestre letivo, que já é o terceiro – antes, com o Pippe, e agora na Pedagogia. Novos seguidores são bem-vindos, também de fora da escola.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

MAS O QUE É FILOSOFIA MESMO?

Sejam bem-vind@s à filosofia! Talvez a uma das tantas filosofias. Pior: à minha visão (im)pessoal e transferível filosofia. E nem precisam limpar o pés.

No mês de março estivemos a distribuir amostras grátis: alunas, aqui está uma provinha da minha filosofia – o ensaio. Deu mais ou menos certo. Isso equivale a dizer: saiu, como sempre acontece, meio errado. Mas é bom que a insatisfação seja explicitada. Digam, se for o caso: ainda não entendi, ou entendi e não concordo, não gostei, etc. Pois ainda temos muitas aulas nestes próximos três meses. Depois, direi: fui.

Gostou? Então leia mais.


Sempre tem gente querendo saber: o que é filosofia mesmo? Diferente talvez das perguntas: ...mas o que é mesmo a filosofia? O que é de fato a filosofia? Tanto faz acrescentar essa ênfase ou não; eu não vou começar a resposta com um típico “Na verdade, a filosofia é...” Pois sempre estivemos na verdade. O café mesmo é diferente do café misturado, mas a filosofia pura não existe: a mente pura é a pura mentira!
Tudo bem, vocês se cansaram do ensaio e querem o show, com gravação de DVD e tudo. Vamos lá. Ainda no quadro negro, escrevemos “filosofia” e destacamos “filo+Sofia”. Sofia é sabedoria. Usamos palavras compostas, como filantropia, hidrófilo, cinéfilo, para sacar que filo é amor,  amizade. Daí que filosofia tenha sido entendida como “amor à sabedoria”. Não é a própria sabedoria? Não resolve muito, mas é um rótulo tão bom quanto geografia e geologia – que nunca dizem tudo, mas servem pra distinguir uma área da outra. Os funcionários do protocolo e da biblioteca sabem muito bem para onde encaminhar os envelopes e os livros: departamentos, estantes. Senão: de volta ao remetente.

Agora, para atender pedidos, eu trouxe para a sala de aula duas definições de filosofia. Uma complicadíssima (a)e outra legível (b).

(a)  Filosofia é ontologia fenomenológica universal, que parte da hermenêutica do estar-aí, a qual, como analítica da existência, amarrou o fim [a ponta] do fio condutor de todo questionamento filosófico, ali de onde se origina e para onde conduz.” (p. 57)

A frase é de Martin Heidegger, citada e comentada pelo caro mestre Ernildo Stein, em seu muito elogiado livro Seis estudos sobre Ser e Tempo. E “Ser e tempo” é o título mais conhecido de Heidegger, que morreu em 1976. Na sala de aula, desmontei um pouco essa bela definição complicada. Um repeteco da explicação não vai funcionar aqui. É claro que o livro de Stein comenta e situa essa frase. Por exemplo, ele destaca o caráter circular dessa definição, mas como muitas definições boas são as circulares, chega-se com isso a noção de “boa circularidade”, o oposto do “círculo vicioso”. E o bom círculo é o círculo hermenêutico. Compreendemos algo porque já estamos compreendidos em algo, há algo a ser compreendido, etc. Mas essa frase não foi trazida com a intenção de encerrar a conversa, tipo: vocês querem uma definição bonitinha? Então, tomem esta e mais esta! (Como se isso bastasse para voltarmos a meu plano inicial , com a exibição do ensaio, ao vivo.) P.S.: tomei a liberdade de sugerir “ponta” em vez de “fim” para o fio condutor, na frase acima, traduzida por Stein. Em alemão, Ende pode ser um e outro, mas... vamos evitar a ambigüidade  e facilitar um pouquinho as coisas para o leitor.


(b)  Quem quiser uma longa explicação do termo filosofia, com um pouco de história e palavrinhas escritas em grego, tipo filosofia... Brincadeira. Isso aí é wingdings e não é grego, mas estou com preguiça de inserir símbolos do alfa-beta. Por exemplo, o dicionário de filosofia do Ferrater Mora, muito bom, em 3 ou 5 volumes, conta que os termos “filosofar” e “filósofo”  surgiram antes do termo “filosofia”. Faz sentido. E era usado para distinguir isso daquilo que faziam os sofistas (mesma raiz “Sofia”, com outro uso).

Mas, já que as alunas costumam achar que filosofia é sempre coisa antiga e de velhinhos-baixinhos-carecas, aqui vem uma quentíssima e recente explicação do que seja a filosofia. E, de bônus, para facilitar a Xerox, uma anedota sobre a figura do filósofo. Pois como dizia mestre Th. Kuhn: cientista velho tem livros velhos, assim como predinho novo tem criança pequena. Ou seja, vi um aluno do mestrado com um livro novo, de um autor novo e pedi para tirar cópia. Para renovar meu estoque. O autor é francês, 62 anos (novo?), e deve estar vivo por aí: André Comte-Sponville (Dicionário filosófico, Martins Fontes, 2003)
O filósofo Comte-Sponville é tão francês quanto
o galã Jean-Paul Belmondô...

A definição começa bem: “Filosofia: uma prática teórica (mas não científica), que tem o todo por objeto, a razão por meio e a sabedoria por fim. Trata-se de pensar melhor, para viver melhor”, etc.


E agora, a anedota sobre o filósofo, que as alunas estão lendo para comentar:

_ O que o senhor faz? – indaga o camponês.
_Sou professor de filosofia.
_Isso é profissão?
_ Por que não? Acha estranho?
_ Um pouco!
_Por quê?
_ Um filósofo é uma pessoa que não liga pra nada... Não sabia que se aprendia isso na escola. (p.251)


No primeiro dia de aula, levei para a sala de aula o livro de entrevistas do jornal francês Le Monde, um bom painel do pensamento nos anos 80, com 20 nomes, quase todos franceses. Além dos desiludidos e malucos, eis um que tem um bom motivo para ser filósofo, o que nega a opinião errada do camponês:

Porque eu sou filósofo?
Por causa de Hiroshima
(Michel Serres)

Ele se pergunta e se responde. Ótimo. Não fiquem esperando um jornalista do Le Monde. E atenção, alunas e leitores que ainda não tem uma grande meta na vida! Vocês podem ir (ou vir) para a filosofia por causa de... Fukushima. E não temos muito tempo, antes de Angra 3, Pré-Sal, Belo Monte...


A rosa radioativa
Estúpida e inválida

(Vinicius e Ney)