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quinta-feira, 7 de março de 2013

O PROFESSOR XEZENÉGA

O Arnold parecia um bronco, um monte de músculos, no papel de Conan. Baita sucesso sobre eras pagãs.

Três séries de oito, depois do alongamento, umas quatro vezes por semana e muita,
muita genética e sorte e dedicação, etc.

Aí, o Mister Universo progrediu barbaridade: descolou um serviço de bedel num jardim de infància. Não deu tiro nem pancadas. E, fala sério, a melhor cena do filme é quando um pirralho inocente diz ao brutamontes austríaco: "Sir, boys have a 'pinis' and girls... have a 'vadjáina'"... (Wahnsinn...)


E vieram tantos sucessos no cinema, ao lado da experiência na política, quando foi governador da California, de 2003 a 2011. Não é pouca coisa. E não parou de fazer filmes.

Vai um autógrafo aí ou tá difícil?

E agora continua a ser notícia: lança livros na feira de Frankfurt e... torna-se professor de uma faculdade que acaba de fundar.

O sucesso atinge a filosofia. Os colegas da UFOP, em Ouro Preto, não resistiram ao famoso slogan do Terminator: hasta la vista, baby.


E temos uma foto rara desse musculoso herói das academias, ao lado de um colega de trabalho, hoje professor, mais pra mindbuilder que outra coisa.

Arnold e nosso colega, no Rio de Janeiro, quando nem sonhavam com o magistério.


Então é hora de voltarmos à nossa bem sucedida campanha de motivação: torne-se um professor e lute pelo salário da categoria! E se for preciso brigar mesmo com os secretários de educação neoliberais, conte com essa força de nossos novos colegas de profissão. 


Essa pose premonitória é a síntese: Conan, el pensador...

(Depois dessa, como diria a Bárbara Gancia, "acabou a matéria!")


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

UM ALUNO MUITO DOIDO

Este blog não está caindo pelas tabelas e nem fazendo água. Todo mundo sumiu dos blogs e dos emails, mas não vamos procurar os fujões da internet, assim como nunca fomos no bar caçar os que cabulam aula. Vem quem quer. E foi quem kiss...

Mas... já não interessa mais puxar orelhas quanto ao equívoco: formatura não é formação. Não queremos nos passar por chatos. E os baladeiros de hoje vão dizer que os tempos mudaram. De fato. Os novos boêmios é que se cuidem pra não morrerem torrados em boate ou com um rojão no grão do olho. Copa sem foguete, por favor, senhores da Gavião... E escolham entre dirigir & beber & sobreviver. (Embora o trabalho continue a matar mais que a diversão... É vero...)

Um tema que pode voltar aqui: "quando é bom ensinar". Há mais casos memoráveis.

Uma seção nova, cheia de itens: os micos inevitáveis. Ou seja, o professor não evita os constrangimentos da conversa em geral. E temos casos diversos de "bom dia a cavalo", podem crer. Aguardem.

Já que muitos professores erados e quadrados gostam de falar de seus próprios mestres inesquecíveis, vamos evitar o corporativismo saudosista e inverter a conversa: quero, de repente, citar aqui alguns alunos e algumas alunas que a memória não abandona. Figuras.

Vai aqui um exemplo.


Era um curso de alemão instrumental, na UFU, por volta do ano 2000. Alunos de diversos cursos vinham aprender comigo um alemãozinho básico. Muitos - dentre os poucos que iam resistindo - queriam ir para a Alemanha, fazer pós. E essa língua alemã é mesmo difícil e chata. Pior, me disse uma professora em Göttingen: os alemães não vão mesmo nos agradar - não vão mudar a lingua deles para se aproximar da nossa, que é a mais fácil...

Um aluno da engenharia mecânica, tipo esperto, olhos arregalados, um dia me sai com essa: "Professor, pode deixar que eu sei me deprimir sózinho..." Ele estava dispensando minha apresentação das canções tristes de Nick Cave, que aparece em filmes do alemão Wim Wenders.

Depois, em sua última aparição em sala de aula, antes de embarcar para a Suécia (onde não falam alemão), olha o que o cara aprontou: subiu, literalmente, pelas paredes.

Eu estava de costas para as janelas, no segundo andar, e ouvi um barulho. Parecia pombo no beiral e os outros alunos assumiram cara de espanto. Virei-me e vi o dito cujo, que escalara a parede externa e entrava pela janela. Um guarda veio reclamar. E o maluco, da engenharia, acalmou o vigilante, com a informação meio falsa: "Eu estudo aqui. Eu faço filosofia..."

Ao desembaraçar a mochila e pular dentro da sala, completou: "Sempre quis fazer isso. E agora, que estou formando, eu posso..."

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

FORMATURA NÃO É FORMAÇÃO

Aluno & professor há meio século, preciso falar da tristeza em Santa Maria.
Nenhuma universidade passou por um drama desses.

Sou professor e pai (e tio) e vou repetir neste blog umas idéias e broncas que já ensaiei em sala de aula.

Por enquanto, o lamento por tantos jovens e famílias na cidade gaúcha. Hora de pensar no inesperado, no absurdo. E hora de ficar com receio de perguntar a meus colegas da UFSM se, por acaso, perderam parentes e amigos. Pois, com certeza, os filósofos de lá perderam alunos e ficaram também nesse pesar. Robson, Ronai, Ricardo Bins, C. Hamm são colegas da filosofia. Já estive lá duas vezes, inclusive para apresentar uma importante conferência, sobre o "Grotesco", em 2002. Belo campus, bela cidade.

Depois, volto ao tema: formação, formatura e... a indústria das festas. Uma conversa chata de adulto sobre cuidado, "cura", "Sorge" - em alemão (pre-ocupação de pai e de professor que já viu algumas coisas erradas e escapou de tantas).

Sim, caras alunas e sobrinhas, vou considerar isso: "Girls just wanna have fun"... Mas não podemos estacionar no video da Cindy Lauper, concordam? Tudo é muito mais.

Até breve.

Prof. Bento I Borges - UFU

(E mais uma vez: nossas condolências aos que sofrem em Santa Maria. Rogai por nós.)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Quando é bom ensinar

Da célebre sessão

"Cinqüenta anos de escola"


1. Uma boa cachaça, um pacote de carne de sol, uma rapadura. Isso foi o que ganhei após trabalhar duas semanas em um pequena faculdade. O pedido estava na mesa de meu chefe havia dois anos. Ninguém se dispusera a ir. Aí eu disse que iria, nas férias. Não haveria pro-labore, ou seja, nada de graninha extra. Mas e daí? Cadê aquela disposição para ajudar? Ainda mais no sofrido norte de Minas Gerais, nossa área de Sudene.

Pagaram o ônibus - umas oito horas rasgando o cerrado - e o hotel. Bom demais. E fiquei durante quinze dias animando o trabalho e a perspectiva de professores e alunos de diversas áreas em uma instituição de ensino superior de Montes Claros. Eu não sei se matei aula de geografia em meu tempo de garoto, mas esperava que houvesse um rio lá. Não há. Mas uma ferrovia, sim. E diversos jornais, uns quatro, pois, logo entendi, havia quatro ou mais tendências políticas. Compreensível, na terra onde nasceu Darcy Ribeiro e uma mulher valente, que armou uma rebelião naquele grande sertão.

O assunto era pesquisa, metodologia, monografia. Essas coisas úteis no momento em que uma instituição cria coragem para deixar de ser um colégião, como se dizia. E eu já era mestre, já havia escrito minha própria monografia e alguns artigos. E tinha dez anos de prática naqueles conteúdos e habilidades.

Fui muito bem recebido, com sorrisos e ouvidos atentos. E, no dia da despedida, levaram-me ao mercado antigo, onde ganhei de agrado aquelas iguarias especiais. A carne de sol ali é chamada de "carne de dois pelos"; a cachaça excelente ainda existe e tem o delicioso nome "Inhantes" - tomar uma talagada inhantes do almoço, por exemplo. E os presentes foram reunidos em uma simpática cesta feita de palha de milho.

Creio que ensinei coisas relevantes para os participantes daquele curso de atualização. E tive uma rara experiência de ensinar para quem quer aprender. Não fui ganhar dinheiro, mas me senti muito realizado e satisfeito em colaborar. E nunca me esquecerei dos agrados e de algumas histórias naquele querido canto de Minas Gerais.


Montes Claros, 1990.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ESCOLAS & CADEIAS

Este blog não apóia o senso-comum, que se repete na frase "Precisamos construir escolas, em vez de cadeias." Isso é uma besteira; o Estado precisa construir cadeias e escolas. E escolas dentro das cadeias.
Neste prédio, em Corumbaíba, Goiás, o prefeito despachava no andar de cima e os presos ficavam trancados no térreo. Uma combinação de arquitetura colonial singela, muito comum no Brasil: cadeia & prefeitura. Quem vai do Sul para Caldas Novas pode conferir. Já foi restaurada e deve virar espaço de cultura, que encobre os documentos de barbárie, conforme expressão de Walter Benjamin.

Neste prédio, na pequena cidade francesa Les Bouchoux, atendem o prefeito e a professora. O prédio é prefeitura & escola. Vamos admitir: essas medidas razoáveis, na terra do racionalismo, deram bons resultados. A educação deve ter a preferência. E ficar pertinho de administradores que cuidem da qualidade do ensino público, gratuito, de qualidade.

Um exercício: que tal inserir e inverter? Pensemos nas escolas que funcionam ou que deveriam funcionar dentro dos presídios. E pensemos também que as escolas não deveriam reproduzir as táticas de interrogatórios e reclusão, típicas das (piores) cadeias. Há muito conhecimento e muita experiência acumulada nesse campo, do ensino em presídios. Congressos são realizados para tratar dessas atividades, como parte de políticas públicas. E a pedagogia crítica e libertária também desenvolveu sinais de alerta contra a opressão e a dominação dentro do sistema escolar.

Dialética básica, na base do "tudo ao mesmo tempo agora" é assim: temos que melhorar a escola e humanizar as cadeias e, no embalo geral, a sociedade inteira poderá avançar. Boas escolas, boas cadeias. Mais escolas e mais cadeias. Pois todos nascem analfabetos e alguns seguem a inclinação para o mal ou tem lá seu minuto de bobeira. Escolas e cadeias custam caro. Mas e daí? Quem disse que o Estado deve dar lucro?

Nosso Ministro da Justiça disse há duas semanas que, se tivesse que ficar preso nessas cadeias imundas e sem espaço, ele preferiria morrer. Morrer, disse nosso ministro de Estado. Ele foi sincero e nós não podemos ser hipócritas. Os presidiários querem sair daquele inferno, querem viver depois. E seria bom que saíssem da cadeia alfabetizados e esclarecidos sobre como funciona a sociedade desigual e cruel. Ganhar a liberdade, com um diploma, uma profissão. Mudar de vida.

Por seu lado, a escola devia alertar mais as crianças e jovens sobre o valor da liberdade. E sobre o perigo de perder, na reclusão, um tempo precioso e até a esperança de dias melhores. Em outras tempos, em cidades pequenas, era comum visitarmos os presos aos domingos. Levávamos um agrado, umas leituras. E ouvíamos as histórias e os bons conselhos dos presos, arrependidos.

Enfim, consideremos esses dois absurdos: cadeias superlotadas e escolas com cadeiras vazias, ociosas. Sobram vagas nas universidades públicas. Em Uberlândia, a UFU melhorou nos últimos anos seus índices de evasão. Caímos para 6%, mas ainda é muito. Mais de 1200 alunos abandonaram os cursos da UFU em 2011. E essa lamentável debandada afeta principalmente as licenciaturas. E de novo, o círculo infernal: salários baixos, falta de professores, qualidade de ensino em queda, etc. Muitas lutas ainda.



Um lugar bonito assim não existe.
Jura?
 

 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O QUE A GALINHA NOS DÁ

Seção infantilidades filosóficas

O QUE A GALINHA NOS DÁ? E A VAQUINHA?
(Arte by Itamar Rios, detalhe de charge - 2011, unauthorized)

A mãe de Rafael examinava o caderno de tarefas dele. E não gostou da avaliação da professora, que deu zero ou marcou com um grande xis de “errado”. Ora, disse a mãe, as respostas estão corretas! E eu vou lá discutir isso com a professora. E foi. No caminho, já pensava: Que absurdo! Que estereótipo! O Rafael respondeu certinho e isso não vai ficar assim.
A professora de Rafael caiu no golpe das velhas fórmulas, que repetiu sem pensar. Sem pensar que os meninos de hoje são muito espertos. E essa querida e respeitável alfabetizadora ainda deu azar, pois a mãe do Rafinha também era professora. E havia estudado a nova pedagogia crítica, a psicopedagogia e coisa e tal.
Na escola, com todo o respeito e com muito jeito, essa mãe contestou o exercício de completar. E podem apostar que haviam colado no caderno do garoto uma folha mimeografada a álcool, azul, com aquelas figuras de olhos grandes, tipo meio abestalhado. Para colorir. E decerto a vaca tinha um laço de fita no rabo e um sino no pescoço. E a galinha teria mãos e luvas e aquela cara de assustada. Estereótipo de massas.
Eis o que se pedia a Rafael e sua turminha de primeiras letras e números.
"Completem as frases:
a)    A vaca nos dá....
b)    A galinha nos dá...
Etc. "
Rafael, muito ativo, completou assim, respectivamente:
"a)...coice, chifrada.
b)...bicadas, unhadas."

E é claro que a mãe do Rafa empregou o velho e bom argumento da mais recente bio-ética: nós roubamos da vaca o leite que ela ajunta para sua cria. E nós tomamos da galinha os ovos que ela reúne para constituir uma enorme família (e não omeletes). Moral da história: temos que mudar o ponto de vista e evitar os eufemismos enganosos.


Atenção, pais e mães e professores e professoras. É importante avançarmos mais na formação desse aspecto, para nós e para alunos de todas as idades: respeito pelos animais. O Instituto Nina Rosa oferece materiais e campanhas direcionados à educação formal e informal. Diminuir o sofrimento dos animais não-humanos é uma das metas. Endereço abaixo:

http://www.institutoninarosa.org.br/

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Seção de Encerramento do Congresso: Questões organizativas

Professor Uilson vem aí.
Este blog surgiu com a disciplina PIPPE. E depois serviu por um semestre a nossa turma da Pedagogia. E agora vamos anotar aqui idéias, causos e ”memórias de um parteiro”, deste professor, que não é o Luis Carlos mas está prestes a parar de lecionar. “Eu vou parar. Eu vou parar. Eu vou parar de lecionááá...” (canção näif do ye-ye-ye en los sixties)
Ainda uma notícia, com ligeira alteração. Caras alunas da Pedagogia da UFU, é o Prof. Uilson quem vai continuar o trabalho da disciplina Filosofia. Eu cometi aquela gafe terrível de correr com a matéria, pensando que o programa fosse semestral. E é anual. Corri e cansei. O Prof. Uilson vai acertar se distribui os 40 pontos restantes ou se faz uma regra de três e espreme os 60 em 50, etc. Isso é entre vocês e ele.
Quanto ao programa, conteúdo, isso depende mais dele. Eu mesmo esgotei o assunto que pretendia. Se continuasse com a turma, ia ter que inventar – mascar palha seca, embora sempre sem embromation.  Mas ele não está cansado; está começando e cheio das idéias. Se eu puder sugerir algo – e de fato já o fiz – é “filosofia para crianças”. Pode ser útil às alunas, muitas das quais já trabalham em escolas infantis e instituições semelhantes. Eu mesmo nunca li textos dessa área, de linha norte-americana ou outra. Nunca li o livro Menos Prozac & mais Platão (ou seria “Menos melhoral infantil”?). E nem li, tipo assim “Filosofia dos Simpsons”. Vocês resolvam com o novo professor novo. Sei de um livro, com título sugestivo: Ari dos Teles. Não li e não sei se gostei.
Eu, quando muito, conto anedotas de pai. E de tio, como no caso acima. Caio no particular, na narratividade, diriam. Mas, ao contrário de Sócrates e de Raí, eu sei disso. Isso: prefiro narrar (a teorizar ou general-izar, por exemplo).


jaó?

jaú?

domingo, 4 de novembro de 2012

O SUCESSO DA EDUCAÇÃO



EaD devia ser apenas Ensino à Distância
Em toda a história do comércio, quantas vendas já foram efetuadas? Resposta rápida e simples: a mesma quantidade de vendas. Ora, se, segundo a prática contábil, há uma equivalência absoluta entre crédito e débito, então, a cada venda corresponde uma compra. Nem mais, nem menos. E esse é um processo simultâneo, como no ímã e no raio/trovão.
No campo da educação, a coisa é bem diferente: pode haver ensino sem aprendizagem. Se isso já é comum na sala de aula, pior ainda é o retorno e o reforço nos esquemas à distância, pelo correio ou pela internet.
Ora, se o processo completo da Educação envolve ensino & aprendizagem, o esquema precário da EaD só pode significar Ensino à Distância e nunca – ou pelo menos nem sempre – Educação à Distância.
E este parece ser também um bom exemplo de esquemas e estruturas elementares, que funcionam no mercado, mas não na sociedade – âmbito mais complexo e mais amplo.

O SUCESSO DOS PROFESSORES E DA EDUCAÇÃO
Há muito texto sentimental e muita lamentação correndo por esta rede, em torno do assunto educação e da categoria profissional professor.
Comigo não, gavião. Neste blog já publicamos tabelas salariais de escolas federais, estaduais e municipais. E também comparamos os ganhos da carreira de professor com outras atividades, tipo vender caldo de cana ou alugar apartamentos. O intuito é dizer a verdade e animar os estudantes, para que venham a seguir a carreira docente.
Pois, então.  Hoje queremos falar de professores de sucesso na política. E da aprovação de uma correta política de educação.
O próximo prefeito de Uberlândia, Gilmar Machado, é professor. E me orgulho dele, que foi meu aluno na UFU. Não se trata de procurar alguma influência pontual. Não se trata disso; mais interessante é reconhecer que participamos do mesmo e grandioso movimento histórico que incluiu a luta contra a ditadura, para restabelecer direitos dos trabalhadores e para implantar a educação pública e de qualidade. Gilmar foi militante do movimento sindical dos professores em Minas Gerais. E foi eleito, sobretudo para seus primeiros mandatos, por professores e alunos. Depois, sua plataforma cresceu para outras lutas, mas devemos ver nele ainda o professor Gilmar. Viram a força da categoria?
O outro candidato em Uberlândia, no campo mais à esquerda de Gilmar, é também professor: Gilberto, vulgo Bode, do PSTU. Já estivemos juntos em algumas lutas e passeatas. Na agenda do candidato Gilberto, quase sempre constava: aulas em Catalão e/ou aulas em São Joaquim da Barra. Um dia, espero entrevistar Gilberto sobre essa sua cansativa perambulação por três estados toda semana.
Gilmar e Gilberto, dois professores... de história. Isso faz muito sentido.
E, por fim, o futuro prefeito da cidade de São Paulo: Fernando Haddad é professor e tem doutorado em filosofia. Conduziu o mega-ministério da Educação, na era Lula & Dilma, quando, finalmente, o ensino público nas Universidades Federais implanta um projeto ambicioso e bem sucedido de expansão, com verbas crescentes. O orçamento da UFU para 2012 tem mais de um bilhão de reais.
Haddad sofreu uma campanha terrível por parte da imprensa (e certamente do lobby das escolas particulares e cursinhos), sobretudo por causa do ENEM. Ontem e hoje, neste início de novembro, seis milhões de jovens em todo o país participam dessa prova, o Exame Nacional do Ensino Médio. Em breve, esperamos que os problemas de logística e de segurança sejam resolvidos, assim como a urna eletrônica já superou críticos e panes.
E aqui vai a opinião de um professor, depois de 33 anos na UFU: era triste ver cadeiras vazias na sala de aula, com vagas que não eram preenchidas. Agora, com o ENEM, será possível não apenas ampliar as vagas e melhorar o ensino, mas também aumentar a quantidade de cadeiras ocupadas e de alunos formados. E esse é o duplo sentido de “sucesso escolar”. Queremos que a universidade pública cresça e que jovens animados venham buscar em nossas escolas diploma e saber e formação crítica e muito mais.
E para aqueles e aquelas que pensam em seguir a carreira do magistério, o lembrete: professores também tem prestígio e influência na vida política no país democrático Brasil.

ENQUANTO ISSO, NOS EUA DE OBAMA E ROMNEY
A corrida presidencial no país que se acha um exemplo de democracia é... um show. E esse é o problema. O processo de indicação de candidatos, de pesquisas de intenção de voto e tudo mais leva a uma polarização cada vez mais equilibrada entre Democratas e Republicanos. OK. Mas onde estão os demais partidos? Não existe comunista nos EUA? Não há liberais in the USA?
Em uma minúscula notinha de jornal, ficamos por acaso sabendo que sim: há partidos pequenos além das siglas que tem um elefante e um burro como mascotes. E os “nanicos” são apresentados pela imprensa, quando muito, como uma curiosidade, uma última linha de uma enquete que não atinge 1% de intenção de voto. Ou nem isso.
E a plataforma dos “nanicos” é estranha? É folclórica? Nem tanto. Vejam que uma das bandeiras desses pequenos partidos ignorados ao norte de nossa América é... educação superior pública (e gratuita).
Que país é aquele, que quase não tem transporte público, nem saúde pública e nem universidade pública? São os EUA de Obama e/ou Romney, o paraíso da exploração capitalista local e remota.
Pensando bem, estamos muito mais adiantados  no Brasil em vários pontos. Ao contrário do que muitos dizem, o Brasil vai bem e nesse caso da educação superior, estamos em melhor situação quando se trata de acesso e permanência. Quanto à qualidade, também estamos melhorando. E essa melhora depende de cada professor e de cada estudante, que deve, sobretudo, estudar. Seja no Brasil, seja no exterior, onde estão hoje mais de 20.000 bolsistas.



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

NINGUÉM EDUCA NINGUÉM

First of all,
quero agradecer aqui o presente que o colega Professsor Alcino me trouxe da Inglaterra: este livro.

A família Brontë nos arrepiava com os ventos uivantes, também na voz aguda de Kate Bush:

"Out On the wiley, windy moors / We'd roll and fall in green /
You had a temper, like my jealousy /Too hot, too greedy ..."
O colega achou que eu ia gostar. E creio que vou mesmo. Com essa trama aí me vejo de novo em sala de aula, de onde vou em breve me afastar. Aliás, este 15 de outubro será minha derradeira chance de comemorar a dita data "Dia dos Professores", antes que eu saia da "ativa" - ou seja, como cantava um ídolo ye-ye-ye: "eu vou parar de lecionar". Mas sempre serei um professor, talvez the professor.
Plot introduction
The book is the story of a young man, William Crimsworth, and is a first-person narrative from his perspective. It describes his maturation, his loves and his eventual career as a professor at an all-girls school. (Hummm... nada mal in those old good times.)
O MUNDO, ONDE AS PESSOAS SE EDUCAM.

Notas de recentes viagens minhas:
“Na volta, 2 horas e 50 minutos, ou seja, abaixo do previsto. E, com carteira de teacher, um pouco de cara de pau, pagamos 8 pesos (e não os 30 para estrangeiros). Por sorte, o rapaz da bilheteria do parque admira Paulo Freire e conhece as duras condições dos professores. E saiu do guichê para apertar minha mão. E disse que eu devia me orgulhar de haver conhecido o grande educador.(...)”
Essa cena teve, sim, certa emoção. Fãs de carteirinha do grande educador. Inclusive recitamos juntos uma frase central da Pedagogia do Oprimido, que eu lia em italiano no tempo da ditadura no Brasil, onde a edição fora proibida:
 "Nessuno educa nessuno, nessuno si educa da solo, gli uomini si educano insieme, con la mediazione del mondo".

Del mondo... inclusive del mondo cane,
pois anda perigoso ser professor
e talvez seja bom levar também uma
carteirinha de jiu-jitsu, UFC and the like.

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Rei Thor

EU? MIRO....




O candidato Elmiro Santos Resende, da chapa “Ética, Autonomia e Compromisso Democrático”, foi o vencedor do segundo turno da Consulta Eleitoral para a reitora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) para o quadriênio 2013-2016, realizada na quarta (26) e quinta-feira (27) nos campi de Uberlândia, Ituiutaba, Monte Carmelo e Patos de Minas. Elmiro Resende e o vice, Eduardo Nunes Guimarães, tiveram 55,14% do total de votos, contra 44,86% da chapa concorrente, “UFU sem Fronteiras – a mudança continua”, que tinha o atual reitor Alfredo Julio Fernandes Neto tentando a reeleição e Darizon Alves de Andrade como vice.

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(Notícia quentinha, no Correio de Udi - 11:11 de 28/09/12)

sábado, 15 de setembro de 2012

DE AULA NÃO ME LIVRO - NOTÍCIAS




E tem aquela outra daquele professor escaldado, que já premeditava o breque. Ele queria um arremate, uma saída apoteótica. E ficava fuçando em uma frase de efeito, talvez para seu discurso de aposentadoria, se é que alguém ia querer ouvir despedidas. Tinha que ter três partes. A terceira frase, o fecho de ouro, era a mais difícil. Por muito tempo ficou com esse esboço:
"Eu já me libertei de meus professores.
Em breve vou me afastar de meus alunos.
Mas sei que nunca..."

Ah! Um dia achou a conclusão bombástica e completou, elevando o tom de voz,
pois frases de efeito são feitas para vociferar em palanque, pra ecoar em igreja barroca.

"...mas nunca vou me livrar de minha ignorância!"

Esse murro na mesa não durou muito, não teve eco.
Pois justamente nessa época, da frase feita, que o professor de meia idade resolveu fazer uma ginástica de acordo,  em academia e paga em dinheiro suado. Lá foi desenferrujar as juntas e começou pelo alongamento dos tendões maltratados pelo apagador de giz e demais cacoetes do ofício.

Voando baixinho, escolhia os halteres mais pela cor que pelo peso e criava mil desculpas para sua relativa falta de força. Tipo assim, o mestre voltou a ser aluno? Olha só. E pronto para errar e pagar mico, tipo deixar cair uma barra de dez quilos na própria cabeça, errar um daqueles setenta exercícios diferentes, etc.

E, no que tange a nossa frase de efeito, abandonou mais essa bobeira, pois... logo viu que voltara a ter professor. Na academia de ginástica, pra ficar fit, tinha e tem diversos instrutores, formados em Educação Física. Vamos educar essa metade, pois que o espírito está bien gordito, cevado e preguiçoso.

Quando os instrutores estão a serviço de todos os levantadores de peso, usam uma camiseta com a palavra "PROFESSOR", nas costas. Se mudam de camisa e continuam ali, por perto de um freqüentador das esteiras, então atuam na função de "personal trainer". Sentidos interessantes para a velha profissão e a nova humildade.


Conan, o pensador, rumo a 2016

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AULA!

Seguinte, caras alunas da Pedagogia: saiu o calendário da UFU, depois de 123 dias de greve, tipo dia "D", o mais longo dos dias. Fim da greve. Aulas dia 17 de setembro, segunda-feira. Tá certo, vamos lá. Nós completamos a carga horária em junho - um caso de adesão parcial, para usar uma expressão menos braba... Então, a rigor, só teremos aula no final de novembro, quando começa o segundo semestre. Estranho, não?

Há, sim, uma dúvida sobre minha permanência com a disciplina, pois eu estava substituindo uma professora, que ficara de resguardo. Com essa demorada greve, ela já comeu sopa de 150 galinhas e... talvez volte, para assumir a tchurma... Vou conversar com o Diretor do IFILO, meu chefe, ainda esta semana. Aí combino por email uma visita às distintas alunas da Pedagogia, na sexta (é esse nosso dia, não era?) Muitas alunas até já se esqueceram de mim e da matéria... Normal. Vou me apresentar de novo: meu nome é tal, nasci em Tupaciguara, no século XX, etc.

Até breve. Bom domingo.

Para os leitores que não são alunas dessa turma, digo: que bom que continuaram lendo este recado, pois a curiosity agora é nome de jipe marciano... E em breve voltaremos com anedotas e reflexões pedagógicas de amplo alcance e prazo de validade infinito, tipo sal que não perde sua força e ímã que não se esquece de atrair (e repelir).