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quarta-feira, 27 de março de 2013

ALGUÉM QUE SAIBA PENSAR DE PÉ

Ontem atendi convite de ex-alunos do PIPE e fui ver exposição de trabalho deles. Na disciplina de meu prezado colega Humberto Guido. O tema era ensino de filosofia e cabe bem aqui neste blog, pois estivemos tratando disso durante um semestre com as alunas da Pedagogia: ensinar filosofia.

O seminário tinha por fio condutor um texto da Profª Salma Tannus, algo como "Ler, escrever, pensar". Um bom texto, como se pode esperar, em coletânea cheia de feras e macacos velhos. Tarimba, entendem? Pedigree.

A questão era a origem do currículo mínimo, de 1962, que orienta e estrutura todos os cursos de filosofia no Brasil, com alguns temperos locais. Por exemplo, a Unicamp contempla melhor o quesito "ciência", com seu CLE e seus cadernos de História e Filosofia da Ciência.

O grupo fez bonito e creio que Guido e eu tivemos uma boa conversa, no entrevero.

As últimas linhas do texto de Salma recomendam algo meio desanimador para a galera, penso eu: quer cortar as asinhas de quem deseja voar antes da hora. Isso (voar e viajar na maionese dos conceitos) deveria ficar para os velhos cheio de manhas e títulos: a paciência do conceito, disse.

Ora essa. Aqui não queremos perder a paciência do conceito e nem a paciência tout court (opa! paciência "curta" soa bem, em francês)

Mas deixemos a velha França de lado, por instantes. É que, de repente, me lembrei de uma moça norte-americana, que foi minha colega em curso de alemão, em Göttingen, Alemanha, 1993. Cindy ou Sandy, anyway. Um dia em sala de aula, a garota ianque contou que seu patrão disse: "Eu preciso de alguém que saiba pensar de pé!"

(Boa essa, não? Ou, como diz a Bárbara Gancia, da Folha, "acabou a matéria!")

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Nosso editor pede desculpas pela falta de imagens e de edição invocada, pois o pessoal do depto de arte já desceu para a praia.

sexta-feira, 22 de março de 2013

VEM DO BERÇO

A educação, que vem do berço, deveria continuar na van.


Nos anos 80, algum pedagogo crítico, talvez o Gadotti, não resistiu ao trocadilho e traduziu “pedagogo”, do grego, como “o motorista da Kombi” (da Alemanha).
Explico: os críticos da escola capitalista & reprodutivista não queriam ser chamados de pedagogos; preferiam ser docentes, educadores, professores.
Educador é o compadre Pedro. Há poucos desse naipe. Mas nada de crise: no sindicato, sou docente; na sala de aula, professor; no SIAPE, sou funcionário público – barnabé.

How cute!
Mas, vamos falar de educação e de Kombi. Alguns diziam por aí, com certo ar elitista e determinista que a educação começa no berço . Ou no caixote, na rede, no jacá – conforme suas preferências culturais, para citar Hans Haufe.
Sim, pode ser. Mas para muitos, a educação começa no berço e logo acaba na perua que leva a criançada para a escola: muitos motoristas são mal educados e a molecada também.
Por favor, senhores motoristas de vans, kombis e peruas! Por favor, não buzinem na rua às seis horas da manhã! Não buzinem em minha porta, tão cedo, pois nem todo mundo precisa madrugar. Educação é respeitar o sagrado direito alheio ao repouso, ao sono.

Senhores motoristas, por favor, apertem a campainha, o interfone, mas não buzinem. Tá legal? E, com isso, estarão servindo de exemplo aos estudantes: silêncio e respeito.
E vocês, também, caros estudantes, que não vão a pé para a escola, esperem no portão e  colaborem com o silêncio dentro da van. Ajudem o motorista a se concentrar ao volante. Falem baixo e evitem distrair o condutor do veículo escolar.
Enfim, de volta ao tema: o motorista da Kombi pode, sim, ser educado e educador. E vocês, queridos estudantes que moram longe, sejam mais corteses, discretos e prudentes. Comportem-se. Ficou claro? Ou será que estamos falando grego?

Sem balbúrdia, please.

sábado, 16 de março de 2013

NÃO FALA COISA COM COISA

Este é mais um post corporativo: sobre a imagem do professor.

Por exemplo, a imagem do professor que ora digita este post. Imagem imaginada.

Um círculo se fechou há cinco meses, exatamente trinta e três anos depois da primeira viajada delas na maionese. Em 1979, as alunas do curso de Letras, da UFU, estavam esperando a aparição deste locutor que vos fala sem falácias. E quando o jovem professor apontou o nariz na sala de aulas, as alunas estranharam: a figura não batia com a imagem fantasiosa que criaram, em grupo. De onde tiraram aquelas meigas donzelas a idéia de que um professor de filosofia seria baixinho, gordinho e careca?

Senti desapontá-las então e recém senti de novo, na Pedagogia, pois não vou diminuir um côvado sequer de minha estatura pouco acima da mediana, tipo Edu Lobo. Não uso tônico capilar e não migrei para a classe obesa.

Talvez essa seja a imagem de Sócrates (mais a barba) ou de Adorno  (menos a barba, mais óculos).

Parece bom não corresponder ao estereótipo, não ter cara de filósofo. Divertido ser confundido com o sujeito que aluga as mulas no Pico do Caparaó ou com um indiano, na Índia. E o guia da Hidrelétrica de Itaipu, que achou que eu fosse engenheiro? Larvatus prodeo... ou seja: caminho disfarçado.

Agora segurem esta, que comento no próximo post deste blog, que é um papo de quem tem 50 anos de escola - cinquenta anos, cincoenta. Muita coisa. Segurem esta: "aquele professor maluco, que não diz coisa com coisa?" (Ih! Esse cara sou eu - das bin ich...)

See you later, jacaré.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O PROFESSOR XEZENÉGA

O Arnold parecia um bronco, um monte de músculos, no papel de Conan. Baita sucesso sobre eras pagãs.

Três séries de oito, depois do alongamento, umas quatro vezes por semana e muita,
muita genética e sorte e dedicação, etc.

Aí, o Mister Universo progrediu barbaridade: descolou um serviço de bedel num jardim de infància. Não deu tiro nem pancadas. E, fala sério, a melhor cena do filme é quando um pirralho inocente diz ao brutamontes austríaco: "Sir, boys have a 'pinis' and girls... have a 'vadjáina'"... (Wahnsinn...)


E vieram tantos sucessos no cinema, ao lado da experiência na política, quando foi governador da California, de 2003 a 2011. Não é pouca coisa. E não parou de fazer filmes.

Vai um autógrafo aí ou tá difícil?

E agora continua a ser notícia: lança livros na feira de Frankfurt e... torna-se professor de uma faculdade que acaba de fundar.

O sucesso atinge a filosofia. Os colegas da UFOP, em Ouro Preto, não resistiram ao famoso slogan do Terminator: hasta la vista, baby.


E temos uma foto rara desse musculoso herói das academias, ao lado de um colega de trabalho, hoje professor, mais pra mindbuilder que outra coisa.

Arnold e nosso colega, no Rio de Janeiro, quando nem sonhavam com o magistério.


Então é hora de voltarmos à nossa bem sucedida campanha de motivação: torne-se um professor e lute pelo salário da categoria! E se for preciso brigar mesmo com os secretários de educação neoliberais, conte com essa força de nossos novos colegas de profissão. 


Essa pose premonitória é a síntese: Conan, el pensador...

(Depois dessa, como diria a Bárbara Gancia, "acabou a matéria!")


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

UM ALUNO MUITO DOIDO

Este blog não está caindo pelas tabelas e nem fazendo água. Todo mundo sumiu dos blogs e dos emails, mas não vamos procurar os fujões da internet, assim como nunca fomos no bar caçar os que cabulam aula. Vem quem quer. E foi quem kiss...

Mas... já não interessa mais puxar orelhas quanto ao equívoco: formatura não é formação. Não queremos nos passar por chatos. E os baladeiros de hoje vão dizer que os tempos mudaram. De fato. Os novos boêmios é que se cuidem pra não morrerem torrados em boate ou com um rojão no grão do olho. Copa sem foguete, por favor, senhores da Gavião... E escolham entre dirigir & beber & sobreviver. (Embora o trabalho continue a matar mais que a diversão... É vero...)

Um tema que pode voltar aqui: "quando é bom ensinar". Há mais casos memoráveis.

Uma seção nova, cheia de itens: os micos inevitáveis. Ou seja, o professor não evita os constrangimentos da conversa em geral. E temos casos diversos de "bom dia a cavalo", podem crer. Aguardem.

Já que muitos professores erados e quadrados gostam de falar de seus próprios mestres inesquecíveis, vamos evitar o corporativismo saudosista e inverter a conversa: quero, de repente, citar aqui alguns alunos e algumas alunas que a memória não abandona. Figuras.

Vai aqui um exemplo.


Era um curso de alemão instrumental, na UFU, por volta do ano 2000. Alunos de diversos cursos vinham aprender comigo um alemãozinho básico. Muitos - dentre os poucos que iam resistindo - queriam ir para a Alemanha, fazer pós. E essa língua alemã é mesmo difícil e chata. Pior, me disse uma professora em Göttingen: os alemães não vão mesmo nos agradar - não vão mudar a lingua deles para se aproximar da nossa, que é a mais fácil...

Um aluno da engenharia mecânica, tipo esperto, olhos arregalados, um dia me sai com essa: "Professor, pode deixar que eu sei me deprimir sózinho..." Ele estava dispensando minha apresentação das canções tristes de Nick Cave, que aparece em filmes do alemão Wim Wenders.

Depois, em sua última aparição em sala de aula, antes de embarcar para a Suécia (onde não falam alemão), olha o que o cara aprontou: subiu, literalmente, pelas paredes.

Eu estava de costas para as janelas, no segundo andar, e ouvi um barulho. Parecia pombo no beiral e os outros alunos assumiram cara de espanto. Virei-me e vi o dito cujo, que escalara a parede externa e entrava pela janela. Um guarda veio reclamar. E o maluco, da engenharia, acalmou o vigilante, com a informação meio falsa: "Eu estudo aqui. Eu faço filosofia..."

Ao desembaraçar a mochila e pular dentro da sala, completou: "Sempre quis fazer isso. E agora, que estou formando, eu posso..."

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

FORMATURA NÃO É FORMAÇÃO

Aluno & professor há meio século, preciso falar da tristeza em Santa Maria.
Nenhuma universidade passou por um drama desses.

Sou professor e pai (e tio) e vou repetir neste blog umas idéias e broncas que já ensaiei em sala de aula.

Por enquanto, o lamento por tantos jovens e famílias na cidade gaúcha. Hora de pensar no inesperado, no absurdo. E hora de ficar com receio de perguntar a meus colegas da UFSM se, por acaso, perderam parentes e amigos. Pois, com certeza, os filósofos de lá perderam alunos e ficaram também nesse pesar. Robson, Ronai, Ricardo Bins, C. Hamm são colegas da filosofia. Já estive lá duas vezes, inclusive para apresentar uma importante conferência, sobre o "Grotesco", em 2002. Belo campus, bela cidade.

Depois, volto ao tema: formação, formatura e... a indústria das festas. Uma conversa chata de adulto sobre cuidado, "cura", "Sorge" - em alemão (pre-ocupação de pai e de professor que já viu algumas coisas erradas e escapou de tantas).

Sim, caras alunas e sobrinhas, vou considerar isso: "Girls just wanna have fun"... Mas não podemos estacionar no video da Cindy Lauper, concordam? Tudo é muito mais.

Até breve.

Prof. Bento I Borges - UFU

(E mais uma vez: nossas condolências aos que sofrem em Santa Maria. Rogai por nós.)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Quando é bom ensinar

Da célebre sessão

"Cinqüenta anos de escola"


1. Uma boa cachaça, um pacote de carne de sol, uma rapadura. Isso foi o que ganhei após trabalhar duas semanas em um pequena faculdade. O pedido estava na mesa de meu chefe havia dois anos. Ninguém se dispusera a ir. Aí eu disse que iria, nas férias. Não haveria pro-labore, ou seja, nada de graninha extra. Mas e daí? Cadê aquela disposição para ajudar? Ainda mais no sofrido norte de Minas Gerais, nossa área de Sudene.

Pagaram o ônibus - umas oito horas rasgando o cerrado - e o hotel. Bom demais. E fiquei durante quinze dias animando o trabalho e a perspectiva de professores e alunos de diversas áreas em uma instituição de ensino superior de Montes Claros. Eu não sei se matei aula de geografia em meu tempo de garoto, mas esperava que houvesse um rio lá. Não há. Mas uma ferrovia, sim. E diversos jornais, uns quatro, pois, logo entendi, havia quatro ou mais tendências políticas. Compreensível, na terra onde nasceu Darcy Ribeiro e uma mulher valente, que armou uma rebelião naquele grande sertão.

O assunto era pesquisa, metodologia, monografia. Essas coisas úteis no momento em que uma instituição cria coragem para deixar de ser um colégião, como se dizia. E eu já era mestre, já havia escrito minha própria monografia e alguns artigos. E tinha dez anos de prática naqueles conteúdos e habilidades.

Fui muito bem recebido, com sorrisos e ouvidos atentos. E, no dia da despedida, levaram-me ao mercado antigo, onde ganhei de agrado aquelas iguarias especiais. A carne de sol ali é chamada de "carne de dois pelos"; a cachaça excelente ainda existe e tem o delicioso nome "Inhantes" - tomar uma talagada inhantes do almoço, por exemplo. E os presentes foram reunidos em uma simpática cesta feita de palha de milho.

Creio que ensinei coisas relevantes para os participantes daquele curso de atualização. E tive uma rara experiência de ensinar para quem quer aprender. Não fui ganhar dinheiro, mas me senti muito realizado e satisfeito em colaborar. E nunca me esquecerei dos agrados e de algumas histórias naquele querido canto de Minas Gerais.


Montes Claros, 1990.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ESCOLAS & CADEIAS

Este blog não apóia o senso-comum, que se repete na frase "Precisamos construir escolas, em vez de cadeias." Isso é uma besteira; o Estado precisa construir cadeias e escolas. E escolas dentro das cadeias.
Neste prédio, em Corumbaíba, Goiás, o prefeito despachava no andar de cima e os presos ficavam trancados no térreo. Uma combinação de arquitetura colonial singela, muito comum no Brasil: cadeia & prefeitura. Quem vai do Sul para Caldas Novas pode conferir. Já foi restaurada e deve virar espaço de cultura, que encobre os documentos de barbárie, conforme expressão de Walter Benjamin.

Neste prédio, na pequena cidade francesa Les Bouchoux, atendem o prefeito e a professora. O prédio é prefeitura & escola. Vamos admitir: essas medidas razoáveis, na terra do racionalismo, deram bons resultados. A educação deve ter a preferência. E ficar pertinho de administradores que cuidem da qualidade do ensino público, gratuito, de qualidade.

Um exercício: que tal inserir e inverter? Pensemos nas escolas que funcionam ou que deveriam funcionar dentro dos presídios. E pensemos também que as escolas não deveriam reproduzir as táticas de interrogatórios e reclusão, típicas das (piores) cadeias. Há muito conhecimento e muita experiência acumulada nesse campo, do ensino em presídios. Congressos são realizados para tratar dessas atividades, como parte de políticas públicas. E a pedagogia crítica e libertária também desenvolveu sinais de alerta contra a opressão e a dominação dentro do sistema escolar.

Dialética básica, na base do "tudo ao mesmo tempo agora" é assim: temos que melhorar a escola e humanizar as cadeias e, no embalo geral, a sociedade inteira poderá avançar. Boas escolas, boas cadeias. Mais escolas e mais cadeias. Pois todos nascem analfabetos e alguns seguem a inclinação para o mal ou tem lá seu minuto de bobeira. Escolas e cadeias custam caro. Mas e daí? Quem disse que o Estado deve dar lucro?

Nosso Ministro da Justiça disse há duas semanas que, se tivesse que ficar preso nessas cadeias imundas e sem espaço, ele preferiria morrer. Morrer, disse nosso ministro de Estado. Ele foi sincero e nós não podemos ser hipócritas. Os presidiários querem sair daquele inferno, querem viver depois. E seria bom que saíssem da cadeia alfabetizados e esclarecidos sobre como funciona a sociedade desigual e cruel. Ganhar a liberdade, com um diploma, uma profissão. Mudar de vida.

Por seu lado, a escola devia alertar mais as crianças e jovens sobre o valor da liberdade. E sobre o perigo de perder, na reclusão, um tempo precioso e até a esperança de dias melhores. Em outras tempos, em cidades pequenas, era comum visitarmos os presos aos domingos. Levávamos um agrado, umas leituras. E ouvíamos as histórias e os bons conselhos dos presos, arrependidos.

Enfim, consideremos esses dois absurdos: cadeias superlotadas e escolas com cadeiras vazias, ociosas. Sobram vagas nas universidades públicas. Em Uberlândia, a UFU melhorou nos últimos anos seus índices de evasão. Caímos para 6%, mas ainda é muito. Mais de 1200 alunos abandonaram os cursos da UFU em 2011. E essa lamentável debandada afeta principalmente as licenciaturas. E de novo, o círculo infernal: salários baixos, falta de professores, qualidade de ensino em queda, etc. Muitas lutas ainda.



Um lugar bonito assim não existe.
Jura?
 

 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O QUE A GALINHA NOS DÁ

Seção infantilidades filosóficas

O QUE A GALINHA NOS DÁ? E A VAQUINHA?
(Arte by Itamar Rios, detalhe de charge - 2011, unauthorized)

A mãe de Rafael examinava o caderno de tarefas dele. E não gostou da avaliação da professora, que deu zero ou marcou com um grande xis de “errado”. Ora, disse a mãe, as respostas estão corretas! E eu vou lá discutir isso com a professora. E foi. No caminho, já pensava: Que absurdo! Que estereótipo! O Rafael respondeu certinho e isso não vai ficar assim.
A professora de Rafael caiu no golpe das velhas fórmulas, que repetiu sem pensar. Sem pensar que os meninos de hoje são muito espertos. E essa querida e respeitável alfabetizadora ainda deu azar, pois a mãe do Rafinha também era professora. E havia estudado a nova pedagogia crítica, a psicopedagogia e coisa e tal.
Na escola, com todo o respeito e com muito jeito, essa mãe contestou o exercício de completar. E podem apostar que haviam colado no caderno do garoto uma folha mimeografada a álcool, azul, com aquelas figuras de olhos grandes, tipo meio abestalhado. Para colorir. E decerto a vaca tinha um laço de fita no rabo e um sino no pescoço. E a galinha teria mãos e luvas e aquela cara de assustada. Estereótipo de massas.
Eis o que se pedia a Rafael e sua turminha de primeiras letras e números.
"Completem as frases:
a)    A vaca nos dá....
b)    A galinha nos dá...
Etc. "
Rafael, muito ativo, completou assim, respectivamente:
"a)...coice, chifrada.
b)...bicadas, unhadas."

E é claro que a mãe do Rafa empregou o velho e bom argumento da mais recente bio-ética: nós roubamos da vaca o leite que ela ajunta para sua cria. E nós tomamos da galinha os ovos que ela reúne para constituir uma enorme família (e não omeletes). Moral da história: temos que mudar o ponto de vista e evitar os eufemismos enganosos.


Atenção, pais e mães e professores e professoras. É importante avançarmos mais na formação desse aspecto, para nós e para alunos de todas as idades: respeito pelos animais. O Instituto Nina Rosa oferece materiais e campanhas direcionados à educação formal e informal. Diminuir o sofrimento dos animais não-humanos é uma das metas. Endereço abaixo:

http://www.institutoninarosa.org.br/

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Seção de Encerramento do Congresso: Questões organizativas

Professor Uilson vem aí.
Este blog surgiu com a disciplina PIPPE. E depois serviu por um semestre a nossa turma da Pedagogia. E agora vamos anotar aqui idéias, causos e ”memórias de um parteiro”, deste professor, que não é o Luis Carlos mas está prestes a parar de lecionar. “Eu vou parar. Eu vou parar. Eu vou parar de lecionááá...” (canção näif do ye-ye-ye en los sixties)
Ainda uma notícia, com ligeira alteração. Caras alunas da Pedagogia da UFU, é o Prof. Uilson quem vai continuar o trabalho da disciplina Filosofia. Eu cometi aquela gafe terrível de correr com a matéria, pensando que o programa fosse semestral. E é anual. Corri e cansei. O Prof. Uilson vai acertar se distribui os 40 pontos restantes ou se faz uma regra de três e espreme os 60 em 50, etc. Isso é entre vocês e ele.
Quanto ao programa, conteúdo, isso depende mais dele. Eu mesmo esgotei o assunto que pretendia. Se continuasse com a turma, ia ter que inventar – mascar palha seca, embora sempre sem embromation.  Mas ele não está cansado; está começando e cheio das idéias. Se eu puder sugerir algo – e de fato já o fiz – é “filosofia para crianças”. Pode ser útil às alunas, muitas das quais já trabalham em escolas infantis e instituições semelhantes. Eu mesmo nunca li textos dessa área, de linha norte-americana ou outra. Nunca li o livro Menos Prozac & mais Platão (ou seria “Menos melhoral infantil”?). E nem li, tipo assim “Filosofia dos Simpsons”. Vocês resolvam com o novo professor novo. Sei de um livro, com título sugestivo: Ari dos Teles. Não li e não sei se gostei.
Eu, quando muito, conto anedotas de pai. E de tio, como no caso acima. Caio no particular, na narratividade, diriam. Mas, ao contrário de Sócrates e de Raí, eu sei disso. Isso: prefiro narrar (a teorizar ou general-izar, por exemplo).


jaó?

jaú?

domingo, 4 de novembro de 2012

O SUCESSO DA EDUCAÇÃO



EaD devia ser apenas Ensino à Distância
Em toda a história do comércio, quantas vendas já foram efetuadas? Resposta rápida e simples: a mesma quantidade de vendas. Ora, se, segundo a prática contábil, há uma equivalência absoluta entre crédito e débito, então, a cada venda corresponde uma compra. Nem mais, nem menos. E esse é um processo simultâneo, como no ímã e no raio/trovão.
No campo da educação, a coisa é bem diferente: pode haver ensino sem aprendizagem. Se isso já é comum na sala de aula, pior ainda é o retorno e o reforço nos esquemas à distância, pelo correio ou pela internet.
Ora, se o processo completo da Educação envolve ensino & aprendizagem, o esquema precário da EaD só pode significar Ensino à Distância e nunca – ou pelo menos nem sempre – Educação à Distância.
E este parece ser também um bom exemplo de esquemas e estruturas elementares, que funcionam no mercado, mas não na sociedade – âmbito mais complexo e mais amplo.

O SUCESSO DOS PROFESSORES E DA EDUCAÇÃO
Há muito texto sentimental e muita lamentação correndo por esta rede, em torno do assunto educação e da categoria profissional professor.
Comigo não, gavião. Neste blog já publicamos tabelas salariais de escolas federais, estaduais e municipais. E também comparamos os ganhos da carreira de professor com outras atividades, tipo vender caldo de cana ou alugar apartamentos. O intuito é dizer a verdade e animar os estudantes, para que venham a seguir a carreira docente.
Pois, então.  Hoje queremos falar de professores de sucesso na política. E da aprovação de uma correta política de educação.
O próximo prefeito de Uberlândia, Gilmar Machado, é professor. E me orgulho dele, que foi meu aluno na UFU. Não se trata de procurar alguma influência pontual. Não se trata disso; mais interessante é reconhecer que participamos do mesmo e grandioso movimento histórico que incluiu a luta contra a ditadura, para restabelecer direitos dos trabalhadores e para implantar a educação pública e de qualidade. Gilmar foi militante do movimento sindical dos professores em Minas Gerais. E foi eleito, sobretudo para seus primeiros mandatos, por professores e alunos. Depois, sua plataforma cresceu para outras lutas, mas devemos ver nele ainda o professor Gilmar. Viram a força da categoria?
O outro candidato em Uberlândia, no campo mais à esquerda de Gilmar, é também professor: Gilberto, vulgo Bode, do PSTU. Já estivemos juntos em algumas lutas e passeatas. Na agenda do candidato Gilberto, quase sempre constava: aulas em Catalão e/ou aulas em São Joaquim da Barra. Um dia, espero entrevistar Gilberto sobre essa sua cansativa perambulação por três estados toda semana.
Gilmar e Gilberto, dois professores... de história. Isso faz muito sentido.
E, por fim, o futuro prefeito da cidade de São Paulo: Fernando Haddad é professor e tem doutorado em filosofia. Conduziu o mega-ministério da Educação, na era Lula & Dilma, quando, finalmente, o ensino público nas Universidades Federais implanta um projeto ambicioso e bem sucedido de expansão, com verbas crescentes. O orçamento da UFU para 2012 tem mais de um bilhão de reais.
Haddad sofreu uma campanha terrível por parte da imprensa (e certamente do lobby das escolas particulares e cursinhos), sobretudo por causa do ENEM. Ontem e hoje, neste início de novembro, seis milhões de jovens em todo o país participam dessa prova, o Exame Nacional do Ensino Médio. Em breve, esperamos que os problemas de logística e de segurança sejam resolvidos, assim como a urna eletrônica já superou críticos e panes.
E aqui vai a opinião de um professor, depois de 33 anos na UFU: era triste ver cadeiras vazias na sala de aula, com vagas que não eram preenchidas. Agora, com o ENEM, será possível não apenas ampliar as vagas e melhorar o ensino, mas também aumentar a quantidade de cadeiras ocupadas e de alunos formados. E esse é o duplo sentido de “sucesso escolar”. Queremos que a universidade pública cresça e que jovens animados venham buscar em nossas escolas diploma e saber e formação crítica e muito mais.
E para aqueles e aquelas que pensam em seguir a carreira do magistério, o lembrete: professores também tem prestígio e influência na vida política no país democrático Brasil.

ENQUANTO ISSO, NOS EUA DE OBAMA E ROMNEY
A corrida presidencial no país que se acha um exemplo de democracia é... um show. E esse é o problema. O processo de indicação de candidatos, de pesquisas de intenção de voto e tudo mais leva a uma polarização cada vez mais equilibrada entre Democratas e Republicanos. OK. Mas onde estão os demais partidos? Não existe comunista nos EUA? Não há liberais in the USA?
Em uma minúscula notinha de jornal, ficamos por acaso sabendo que sim: há partidos pequenos além das siglas que tem um elefante e um burro como mascotes. E os “nanicos” são apresentados pela imprensa, quando muito, como uma curiosidade, uma última linha de uma enquete que não atinge 1% de intenção de voto. Ou nem isso.
E a plataforma dos “nanicos” é estranha? É folclórica? Nem tanto. Vejam que uma das bandeiras desses pequenos partidos ignorados ao norte de nossa América é... educação superior pública (e gratuita).
Que país é aquele, que quase não tem transporte público, nem saúde pública e nem universidade pública? São os EUA de Obama e/ou Romney, o paraíso da exploração capitalista local e remota.
Pensando bem, estamos muito mais adiantados  no Brasil em vários pontos. Ao contrário do que muitos dizem, o Brasil vai bem e nesse caso da educação superior, estamos em melhor situação quando se trata de acesso e permanência. Quanto à qualidade, também estamos melhorando. E essa melhora depende de cada professor e de cada estudante, que deve, sobretudo, estudar. Seja no Brasil, seja no exterior, onde estão hoje mais de 20.000 bolsistas.